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Textos em destaque:



Ranking Universitário 2014 de Países do BRICS e de Países de Economias Emergentes Não Pertencentes ao BRICS
Clovis Pereira – UFPR



A empresa britânica Thomson Reuters divulgou seu trabalho Times Higher Education BRICS & Emerging Economies Rankings 2014, que relaciona as 100 melhores Universidades dos países que formam o BRICS e de países não pertencentes ao BRICS, classificados como Economias Emergentes pelo índice FTSE The Index Company.

FTSE  é um índice que mede vários mercados e classes de ativos em mais de 80 países, incluindo os países que formam o BRICS (um acrônimo que se refere aos países membros fundadores que juntos formam um grupo político de cooperação). O BRICS é formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Na base do Ranking Times Higher Education BRICS e Economias Emergentes, versão 2014, há um exercício sofisticado de coleta de informações e análise para detalhar os critérios utilizados que avaliam as melhores Universidades dos países classificados no contexto acima citado.

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Ano VIII Novembro 2014




CONAE 2014

A Composição
Luis Vieira



Em 2010, quando da realização do I CONAE, comentei, em um artigo, a composição dos delegados que decidem como vai ser a educação no Brasil. Naquela ocasião, após exaustiva análise concluí - Mas é evidente que a composição do CONAE reflete a predominância do setor sindical e do setor público. Como o governo atual tem muitos dos seus quadros oriundos do movimento sindical, há de certa maneira uma replicação de perfis que, se por um lado dá mais homogeneidade ao CONAES, por outro, lhe subtrai a diversidade de experiências e também sua representatividade real.

Quatro anos depois o número de delegados passa de 2.884 para 4.500! Dentre os quais novamente predominam largamente os mesmos setores apesar da presença real do setor privado na educação brasileira. Em alguns casos, há até uma dupla representação sindical, por exemplo, no Forum Nacional de Educação, que organiza o CONAE, há um delegado efetivo da Representação dos Movimentos em Defesa do Direito à Educação que é um pool de organizações que inclue o MST e a CNTE - filiada à CUT. No mesmo Forum organizador do CONAE estão presentes delegados das Centrais Sindicais - o efetivo é da CUT, e também da CNTE, da CONFENEM, da CONTEE, da FASUBRA, do PROIFES, da UNE, da UBES, da representação do campo - o delegado efetivo é da CONTAG. Da sociedade civil organizada não sindical há um delegado da CNI e um do sistema S. Do setor privado apenas um representante. Não se vê representantes de categorias profissionais. A comunidade científica tem um solitário representante. As universidades católicas não têm representante.

A consequência se vê na definição dos eixos, na programação, nas resoluções que priorizam uma pauta classista situando a educação como instrumento de “justiça social”, mas o conteúdo da Conferência será objeto de um segundo artigo, da mesma forma como fizemos há quatro anos atrás sobre as recomendações do CONAE 2010 para o ensino superior.


Ano VIII Novembro de 2014



Ciência: Propostas Para o Avanço
Clóvis Pereira – UFPR



O objetivo central deste texto é propor a criação de planos estruturais, ações e metas, à próxima administração do Estado do Paraná a ser iniciada em janeiro de 2015, como soluções estratégicas que respondam a questões relevantes para o avanço da ciência no Paraná. A ciência e seu desenvolvimento devem ser uma preocupação de governo.

Neste texto ao citarmos a palavra ciência, estaremos nos referindo ao seu significado amplo, a exemplo do contido no texto que citamos abaixo.

No documento intitulado Rigor e Integridade na Condução da Pesquisa Científica, Rio de Janeiro: ABC, p. 2, 2013, encontra-se o seguinte sobre a ciência: “A Ciência envolve todo conhecimento sistematizado, obtido por meio de observação, experimentação e raciocínio. Ela busca aumentar a compreensão do mundo natural, físico e social, assim como da mente humana. Nessa dimensão, a Ciência abrange as chamadas Ciências Exatas, Naturais, Sociais e as Humanidades”.

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Ano VIII Outubro de 2014




IBGE, preocupações de uma pesquisadora  
Denise Britz do Nascimento Silva (ENCE-IBGE)



Escrevo para compartilhar com vocês minha enorme preocupação com o que está ocorrendo no momento com o IBGE ... ou melhor... com o que pode vir a ocorrer. Acho que o momento é muito grave e precisamos avaliar o situação com toda a complexidade envolvida. Não acho que podemos ou devemos considerar a comissão de especialistas de forma isolada. Não é este o caso. Foram criadas duas comissões e uma delas é de sindicância.

As 2 comissões foram criadas num movimento único do Governo e eu não consigo acreditar que esta(s) ação(ões) ocorrereu(am) com real e único foco na melhoria dos processos do IBGE e da produção de estatísticas oficiais.. um bem público.

Concordo plenamente que a comissão de especialistas é formada sem dúvida por excelentes pesquisadores e pessoas de alta respeitabilidade mas não podemos esquecer que este governo não está agindo de forma respeitosa com o IBGE no momento de criar duas comissões, uma para analisar a PNAD 2013 e outra que é uma comissão de sindicância.

Não há dúvida que o IBGE cometeu um erro e que uma avaliação independente trará melhorias aos protocolos de trabalho do IBGE e benefício à nação.

Entretanto... a forma que as comissões estão sendo criadas é inadequada para fazer jus à história e ao serviço do IBGE para o País.

Notem que apoio ao IBGE não se traduz em desconsiderar o erro cometido. Erramos... e isto indica a necessidade de uma revisão de protocolos... e uma avaliação externa pode e deve ser um caminho importante neste processo de revisão.

Em 1997, o IBGE solicitou ao Statistics Canada um avaliação dos nosso processos de trabalho. O trabalho de avaliação técnica realizado pelo StatsCan foi detalhado e importantíssimo para o IBGE. Como consequência, o IBGE se modernizou e a avaliação realizada teve efeitos extremamente benéficos para a instituição.

Mas, hoje, desta vez, não foi dada ao IBGE a oportunidade de criar esta ou outra comissão de especialistas (nacionais ou internacionais) ou de informar à socidedade como trataria a avaliação dos processos. Esta opção nos foi negada. Fomos atropelados pela notícias da criação de duas comissões.. sendo uma delas a comissão de sindicância.

Acho muito bom que a comissão de especialistas independentes seja composta pelas pessoas citadas. Tenho certeza que o IBGE receberá bem esta comissão. Alguns dos participantes já são ou foram participantes de comitês técnicos a convite do IBGE. Mas... estamos (pelo menos eu estou) de luto pela criação das comissões da forma que ocorreu.

Participei na semana passada de um workshop sobre qualidade em pesquisas realizado em Washignton (ITSEW2014 - International Total Survey Error Workshop). Neste seminário tive conhecimento sobre um erro cometido pelo Statistics Sweden em 2010*. Devido a isto, o Governo da Suécia definiu que o Statistics Sweden deveria implantar uma revisão de qualidade em suas pesquisas e um relatório deveria ser produzido para ser entregue ao Ministro das Finanças: "The government of Sweden stated in Statistics Sweden’s appropriations directive for 2011 that the agency was required to complete on going work within the area of quality and that significant quality improvements were to be reported to the Ministry of Finance at end of 2011 and every year following. A report was requested in the form of specific indicators that
signify any quality improvements that are occurring in pre-specified, key programs."


Uma comissão mista com membros internos e externos à instituição foi proposta e montada pelo Statistics Sweden. Os dois membros externos são: Paul Biemer , especialista em Survey Methods e Denis Trewin (ex-presidente do Australian Bureau of Statistics ). O trabalho de avaliação ainda está em andamento e sua metodologia e resultados podem ser encontrados em 2 artigos: A System for Managing the Quality of Official Statistics e A Tool for Managing Product Quality.

Relato o caso para colocar os fatos que ocorreram com a ratificação de estimativas produzidas pelo IBGE num contexto comparativo com o dia-a-dia dos vários Institutos Nacionais de Estatística do mundo. O erro aconteceu, na Suécia e no Brasil, os processos de trabalho precisam ser revisados mas a forma de fazê-lo é na busca da qualidade.

No caso do Brasil, não acho corretas as ações que o MPOG está tomando, e da forma que está fazendo, em relação ao IBGE. Entendo que um momento difícil como este sempre alavanca discussões importantes que podem trazer melhorias para a produção das Estatísticas Públicas. Entretanto, muita água ainda vai rolar... as palavras e ações tem peso e, sempre, consequências.

Não escrevo em nome do IBGE mas não há como separar meu julgamento da minha história profissional. Não gostaria que esta mensagem fosse vista como uma fala corporativista, mas entendo que não tenho como evitar isto.

*http://www.scb.se/en_/Finding-statistics/Statistics-by-subject-area/National-Accounts/National-Accounts/National-Accounts-quarterly-and-annual-estimates/Aktuell-Pong/22918/Behallare-for-Press/Correction-Net-lendingborrowing-for-local-government-2009-non-financial-sector-accounts/


Ano VIII Outubro de 2014




Ranking Universitário Folha 2014
Clóvis Pereira – UFPR



Recentemente a Folha de São Paulo divulgou o Ranking Universitário Folha – RUF 2014. Uma listagem das Universidades brasileiras de melhor desempenho, de acordo com os indicadores avaliados que são: Ensino; Pesquisa; Inserção no Mercado de Trabalho; Inovação; Internacionalização.

O RUF 2014 conta com uma listagem de 192 Universidades. Segundo seus responsáveis, o ranking procura medir a qualidade das Universidades brasileiras, em suas diferentes missões (ensino, pesquisa e extensão. Cf. Art. 207 da Constituição Brasileira) a partir de metodologias utilizadas em rankings internacionais, mas com adaptações para o contexto brasileiro.

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Ano VIII  Setembro 2014






Controle Social da Academia
Luis Vieira



Um dos mantras preferidos pela esquerda, o controle social das atividades do Estado, tem sido propagado ad nauseam pelos seus inúmeros partidos na propaganda eleitoral. O decreto presidencial 8.243, Política Nacional de Participação Social, cuja implantação está, por ora, suspensa pela legislação eleitoral, aprofunda a metamorfose do Estado brasileiro em um Estado de sovietes. Desfaçadamente, o governo central gera a própria crise que justifica a mudança, a corrupção e a ineficiência desses últimos 12 anos são debitados ao Estado democrático de direito, constituído a partir da Constituição de 1988 (a qual boa parte da esquerda não subscreveu).

Nas universidades federais, regidas a colegiados, a materialização do propalado controle social é a constituição de sindicatos e associações estudantis classistas (leia-se revolucionárias) cuja atuação ultrapassa o domínio das reivindicações trabalhistas para se instalar no centro das deliberações da instituição universitária. Como se isso fosse pouco, as entidades reivindicam também o direito de indicar os representantes nos colegiados, retirando da administração da instituição de ensino superior, responsável perante a lei e a sociedade, a prerrogativa de organizar o processo de escolha dos representantes. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro a constituição de seu colegiado maior – Conselho Universitário – prevê que a indicação dos representantes discentes é prerrogativa das entidades estudantis mas não havia nada tão explícito quanto às congregações de unidade e foi exatamente numa delas – Escola de Educação Física e Desportos que se instalou uma polêmica sobre quem deveria organizar as eleições – a administração da IES ou o Centro Acadêmico. Por considerar que não feria o Estatuto da Universidade, o diretor da EEFD manteve o procedimento institucional e foi por isso acusado de autoritarismo, para dizer o mínimo. A controvérsia só foi resolvida, no âmbito da UFRJ, em maio de 2014, a favor das classes oprimidas, é claro, através da resolução no 5* (que não contempla colegiados de departamentos), demonstrando, no entanto, que o professor da EEFD não tinha violado nenhuma norma dessa universidade, senão ela não teria se feito necessária.

Dificuldades dessa natureza somadas aos problemas crônicos da administração federal desencorajam vocações para a gestão universitária, a menos que as motivações sejam de natureza política.



*Resolução No 5/2014 do CONSUNI da UFRJ

Art. 1º Reafirmar a prerrogativa das entidades representativas dos estudantes na organização do processo de escolha dos representantes discentes nos colegiados superiores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, bem como nas Congregações das Unidades Acadêmicas e colegiados equivalentes dos Órgãos Suplementares.


Comentários recebidos:


 Indicação de representantes discentes

 Uma coisa é definir quem convoca e comanda as eleições dos representantes no Consuni ou nas Congregações. Outra coisa, muito diferente, é definir quem comanda o processo de indicação. As entidades estudantis não querem comandar esse processo, substituindo a instituição federal. Elas não querem elas mesmas fazerem as eleições. Elas simplesmente não querem essas eleições com voto direto dos discentes elegendo os representantes discentes. Parece parecido. Mas é muito diferente. De um lado, um processo eleitoral. De outro lado, um processo de indicação de representantes sem eleição desses representantes pelos que serão representados. Se a UFRJ quer conceder assentos, em seus Colegiados, para as entidades do movimento estudantil, tudo bem, maravilha. Só não pode é com isso zerar a indicação de representantes discentes com eleições similares às que convoca para os representantes docentes.

L.E.R.Carvalho


Ano VIII  setembro 2014


                           
                                                                                                                                  
O atalho que não leva a lugar algum
Luis Vieira



O contexto que envolve a publicação de periódicos pouco confiáveis reflete a crise mundial da atividade científica em universidades e entidades de pesquisa. Pesquisar é caro e não necessariamente traz retornos imediatos ou mesmo dignos de nota. A crise econômica global provocou graves cortes de verbas em todo o mundo. Em 2013 estive na Espanha e pude verificar a difícil situação dos pesquisadores espanhóis, muitos abandonando o país, ou a profissão. Nesse quadro fica mais difícil manter uma atividade científica de qualidade e divulgá-la nos periódicos consagrados o que equivale a não ter feito nada. A revolta contra o império das publicações, concentrado em poucas editoras internacionais, provocou manifestações individuais (Higgs, Schekman) e coletivas (DORA).

Infelizmente, ao invés de buscar soluções íntegras, maus empreendedores distorceram a iniciativa do periódicos "open access" que visava facilitar o acesso a publicações científicas e a transformaram numa indústria de "papers" de segunda categoria, tipo - pagou, publicou.

O OBSUNI/Prof. Vinicius Arcaro rastrearam no Brasil a amplitude dessa má iniciativa, já denunciada amplamente no exterior, (veja o experimento da revista Science), muitos periódicos pouco confiáveis estão certificados pelo banco Qualis da CAPES e as IES brasileiras estão aceitando essas publicações como evidência de produção científica.

Se a fórmula tem ajudado as carreiras daqueles que praticam esse atalho, certamente não é o caso da posição brasileira no ranking de importância da ciência mundial. Trabalho recente baseado no Web of Science, premiações internacionais e impacto na pesquisa só identificou cinco pesquisadores radicados no Brasil como sendo dignos de nota na ciência mundial. A recente indicação de um brasileiro para a medalha Fields constitui mais uma exceção do que a regra.


Ano VIII Agosto 2014



                                                                                                                                                                                                                
Os Cientistas mais Influentes no Mundo Atual e o Contexto Brasileiro*
Clóvis Pereira – UFPR



O objetivo deste texto é repercutir no contexto acadêmico brasileiro e no âmbito dos governos estaduais e federal o documento elaborado e divulgado recentemente por Thomson Reuters, intitulado World’s Most Influential Scientific Minds 2014.

O documento, com 108 páginas, contém uma análise dos mais importantes e influentes cientistas da Terra que trabalham em diversas áreas do conhecimento. Em busca de resposta para a pergunta:
Who are some of the best and brightest scientific minds of our time?

Os peritos da Thomson Reuters analisaram dados disponíveis existentes na Web Science e em plataformas de incentivo para determinar os pesquisadores que têm produzido trabalhos de relevância em pesquisa científica, em diversas áreas do conhecimento, que são mais frequentemente reconhecidos por seus pares em diferentes países do mundo. Para o trabalho acima citado foram consultados diretórios de pesquisa altamente citados.

Na introdução do documento em pauta encontramos a seguinte afirmação: These researchers are, undoubtedly, among the most influential scientific minds of our time.

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Ano VIII Agosto de 2014




A Era do Conhecimento Globalizado 
Clóvis Pereira – UFPR



O objetivo deste texto é alertar a administração central, a comunidade acadêmica e a sociedade do Estado do Paraná para a necessidade de criar e executar projetos estruturais que visem, em longo prazo, reformular o Sistema Público de Ensino Superior do Estado.

Lembramos que quando há erros na estrutura da educação escolar superior de um Estado ou de um País, os administradores que têm o poder de agir na tomada de decisões também têm a responsabilidade de agir para consertar o que está errado nessa estrutura.

Na era do conhecimento no mundo globalizado atual o bem mais precioso de um Estado, ou de um País, é o seu capital humano detentor de boa educação escolar em níveis fundamental e médio e em nível superior. Sabemos que investimentos em educação escolar de excelente qualidade, em ciência e em tecnologia em harmonia com um bom projeto de desenvolvimento estadual, representam a melhor estratégia para um bom administrador e sua equipe de assessores.

Neste contexto é imprescindível a importância da boa educação escolar superior (graduação e pós-graduação stricto sensu) ofertada por um Estado, ou por um País a seus filhos. O estágio da boa educação escolar superior só poderá ser atingido por intermédio da boa qualidade de suas Universidades. Emerge daí a necessidade de constante vigilância por parte da administração central do Estado sobre o Sistema Público de Ensino Superior do Paraná, que é formado por sete Universidades Estaduais.

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Ano VIII  julho 2014




Submundo acadêmico*
Luis Vieira



Introdução

Em matéria anterior, "Qualis sob suspeita", alertamos sobre a propagação de periódicos questionáveis no sistema acadêmico brasileiro, sob a chancela da CAPES através da inclusão desses periódicos no Qualis. No Brasil, assim como no exterior, a publicação de artigos científicos tornou-se a medida preponderante para o acesso e progressão nas universidades.

Com a imitação do modelo Americano "Publish or Perish", a competição para publicar artigos foi acirrada no mundo todo. Pressionados por suas instituições, alguns pesquisadores escolhem o caminho mais curto e condenável. Esse caminho consiste em escolher periódicos cujo tempo para publicação seja relativamente curto. A maneira que esses periódicos utilizam para oferecer uma redução do tempo para publicação é através da simplificação do processo de revisão pelos pares (peer-review-process). Por esse motivo, utiliza-se o eufemismo questionável para tais periódicos. Em muitos deles, a revisão pelos pares simplesmente não existe, conforme demonstrado em 2013 por John Bohannon.

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Ano VIII, julho 2014



                                                                                 
Qualis sob suspeita*
Luis Vieira
                                                                                                               


Introdução

No final da década de oitenta apareceram os primeiros periódicos on-line no sistema Open Access. Diante do alto custo das assinaturas dos periódicos impressos, a novidade foi muito bem recebida e difundiu-se rapidamente em todo o mundo. No Directory of Open Access Journal (DOAJ) há mais de 9000 periódicos cadastrados. No Brasil a iniciativa conjunta da FAPESP com o CNPq deu origem à Scientific Eletronic Library on Line (SCIELO) que abrange mais de 300 periódicos com acesso livre.

Na maioria das vezes, o sistema Open Access é visto com reserva pela comunidade científica tradicional e pelas grandes editoras. O principal motivo é a cobrança de taxa para publicação, disfarçada em taxa de processamento do manuscrito, em geral variando de $ 200 USD até $ 1000 USD. O conflito de interesses sempre vai suscitar dúvidas quanto à qualidade dos artigos publicados. Fator de contratação de novos professores ou pesquisadores e também promoção na carreira acadêmica, a publicação de artigos passou a ser alvo de práticas questionáveis. Existem muitos periódicos, com credibilidade conquistada durante décadas, que estão disponíveis para publicar e que nunca cobraram taxa do autor.

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Ano VIII  Julho de 2014
                                                                                                           



Desde Leiden
Luis Vieira



O Centro de Estudos de Ciência e Tecnologia (CWTS) da Universidade de Leiden, Holanda, divulgou uma avaliação sobre a pesquisa no Brasil no período 2003-2012. Os dados são baseados no Web of Science produzido pela Thomson Reuters. Como diferencial em relação a outras avaliações, o estudo do CWTS oferece a opção de se considerar indicadores que independam do tamanho da instituição e que contabilizem fracionadamente a participação de cada instituição em trabalhos comuns. Há ainda opções para avaliar cooperação internacional e intranacional, assim como trabalhos desenvolvidos em parceria com empresas. 

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Ano VIII Junho de 2014




O Circo da Copa do Mundo não é lugar para demonstrações médicas
Luis Vieira



A imagem pouco transmitida mais comentada nas redes sociais é a de um experimento há muito anunciado pela equipe de um neurocientista brasileiro – fazer um paraplégico dar o chute inicial da Copa do Mundo usando um exoesqueleto desenvolvido por sua equipe. Simpático ao regime, contou com o apoio do então Ministro da Ciência e Tecnologia para criar um instituto de pesquisas no Rio Grande do Norte. Trouxe da Universidade de Duke, nos EUA, aonde trabalhou, o know-how para a recuperação de deficientes físicos a partir de equipamentos ligados diretamente ao cérebro do paciente. Aqui no Brasil, atritos no interior de sua equipe provocaram a evasão de muitos de seus membros, mas o trabalho continuou assim mesmo e a meta de fazer um show ao vivo na abertura da Copa encantou o governo brasileiro que deu luz verde para o evento.

Sem prejuízo aos benefícios à medicina que seus trabalhos possam trazer, a escolha da abertura da Copa do Mundo, que é puro entretenimento e comércio, para a divulgação de um experimento delicado e dramático para um paciente, não podia ter sido mais infeliz. Um torneio para-olímpico poderia ser uma alternativa mais apropriada. Não sei até que ponto Sociedades Médicas ou Científicas endossaram a iniciativa. Em uma reunião na Academia Brasileira de Ciências, ouvi de um palestrante crítica à natureza dos experimentos que estavam sendo conduzidos pelo pesquisador e sua equipe. Mas, tanto quanto se saiba, não houve nenhuma manifestação pública desaconselhando a prática.

O cuidadoso andamento da cerimônia de abertura que deveria ser descontraído e animado, sem maiores constrangimentos, inibiram destaque à demonstração que transcorreu discretamente num lado do campo, sobre um pequeno tapete. O desmoronamento das instituições e de um norte ético estão criando um ambiente de indiferença e tolerância. Nesse caso, ao menos há supostamente um objetivo nobre, mas a qual preço?


Ano VIII Junho de 2014 


                                                                               


A questão da representação nos colegiados das universidades estatais
O caso da EEFD da UFRJ
Luis Vieira



Democracia é um conceito amplo que toma diferentes formas dependendo de quem o defende. Não se restringe à forma de governo, permeia todas as instâncias da sociedade, sejam elas privadas ou públicas. Um estigma que qualquer dirigente, administrador ou governante evita hoje é ser acusado de não democrático. Não se trata, necessariamente, de justiça ou eficiência, mas de um valor que se tornou inseparável da gestão. Nada mais natural, portanto, que as universidades estatais constituíssem exemplos de gestão colegiada e de campo de ensaio para o exercício da democracia direta, ou seja, um processo deliberativo que passa à margem da estrutura formal da universidade, embora ainda se imbrica a ela no momento de fazer valer as decisões perante seu corpo social e a sociedade.

Tomando como caso a Universidade Federal do Rio de Janeiro, temos o exemplo da escolha do Reitor, feita por voto direto ponderado em um terço para cada categoria (alunos, professores e funcionários), mas formalizada em termos de uma lista tríplice submetida ao Ministro da Educação que supostamente deverá confirmar o primeiro nome indicado. Nos seus numerosos colegiados vem se tornando um hábito a indicação via órgãos de classe – sindicatos, centros acadêmicos, etc., dos respectivos representantes de categorias. Assim o Centro Acadêmico (C.A.) dos alunos de uma determinada unidade, ao invés da sua administração formal, organiza o processo de indicação dos representantes discentes nos colegiados correspondentes. É exatamente esse conflito entre o formal (que em alguma época foi objeto de um consenso) e o casual (que algum dia poderá ser formal) que tomou proporções destacadas no caso da Escola de Educação Física e Desportos (EEFD). O seu diretor pretende seguir a lei vigente – Lei da Representação Estudantil (7.395/85), estatuto e regimento da universidade, que não indicam com clareza (exceto no caso do seu conselho superior - CONSUNI) quais representantes devam ser indicados via organizações estudantis. O C.A. da EEFD pretende o contrário e organiza à sua maneira um desafio à administração da unidade. A questão foi parar no CONSUNI que decidiu em favor dos estudantes, mas o CONSUNI não está acima da lei e há um parecer da Procuradoria com resultado diferente.

A questão central, entretanto, não é essa. O que está em jogo é o controle do estado. O que ocorre na UFRJ, ocorre em outras universidades, autarquias e empresas públicas e é consequência da disputa pela ocupação e controle da máquina pública. Isso é feito via organizações tradicionais como sindicatos, centros acadêmicos, associações profissionais, como também por movimentos com uma causa específica – MST, MTST, entre outros. A burocracia e o edifício jurídico da sociedade brasileira estão sendo desafiados por uma infinidade de grupos, movimentos e ações que foram, em um dado momento, estimulados pelos atuais governantes, mas que eles hoje não conseguem mais controlar. A mesma reitoria que apoia o C.A. da EEFD, ao invés de exercer um papel moderador, foi vencida pelos estudantes no caso da Empresa de Serviços Hospitalares (EBSERH). Gradualmente as instâncias do poder público se tornam erráticas ou paralisadas.

Voltando ao tema da democracia cabe a seguinte questão, são as ditas organizações sociais (tradicionais e novas) democráticas? Atuam de forma independente de partidos? São transparentes? Se há hesitação na resposta, é justo exigir que um professor, aluno ou funcionário deva se dirigir ao seu sindicato para eleger um representante na estrutura da universidade? Projeto do PCdoB na Câmara pretende que sim, mas ainda não foi votado e esse fato soma a favor da interpretação da direção da EEFD e nos alerta para a necessidade de combatê-la também no Congresso Nacional.


Comentários recebidos

Me parece que hoje esta questão é muito importante para a Universidade pois o que está em jogo é o processo democrático. Devemos garantir uma representação legítima de nossas categorias no processo de ocupação de colegiados que são decisórios e vão definir o rumo da Instituição. Hoje vivemos a situação de reitores ¨eleitos¨ e sem o poder de executar seus projetos de campanha, sendo acuados por representantes de minorias que não refletem o desejo de nossas comunidades. Profa Vera Halfoun/Faculdade de Medicina


Ano VIII, Maio de 2014                               

  


                             

As 100 Melhores Universidades Jovens da Terra em 2014 e o Contexto Brasileiro
Clóvis Pereira – UFPR



No dia 30 de abril de 2014 o Times Higher Education - THE, da Thomson Reuters, divulgou a versão anual de seu ranking, um dos mais importantes do mundo, com as 100 melhores Universidades jovens do Planeta Terra. Isto é, instituições de ensino superior com menos de 50 anos de idade.

Este ranking fornece um vislumbre do futuro para as instituições em ascensão, que mostram um grande potencial que lhes permitirá a obtenção da excelência. Daí sua importância para a comunidade acadêmica internacional e para os gestores das instituições listadas.

No ranking são analisadas cinco áreas: inovação, ensino, influência da pesquisa, volume de pesquisas e impressão no meio acadêmico, abrangendo investimento financeiro em pesquisas, total de docentes da instituição, a qualificação dos docentes, total de alunos estrangeiros na instituição, total de publicações em revistas científicas, dentre outros itens. Uma das ferramentas usadas para esta medição é a entrevista com 10.500 pesquisadores do mundo inteiro.

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Ano VIII, Maio de 2014


                                                                 


Carta Aberta aos Pré-Candidatos ao Cargo de Presidente da República
Clóvis Pereira – UFPR; Leandro Filho – UFRJ; Luis Vieira – UFRJ



Senhores Pré-Candidatos:



Os signatários desta carta aberta, membros da comunidade acadêmica brasileira e ativistas no âmbito do Observatório da Universidade – OBSUNI, que comemora seu oitavo ano de existência, no dia 21 de Abril, atentos ao processo de globalização do ensino superior, além de preocupados com a urgente necessidade quanto ao início de um processo de reformas que resgate a excelência da Universidade brasileira, bem como a qualidade de todo o Sistema Brasileira de Ensino (SBE), cada vez mais combalida também no âmbito da educação básica, conforme verificado pelos baixíssimos níveis de desempenho apurados de forma recorrente pelos organismos nacionais e internacionais que medem e avaliam os principais resultados dos processos de educação em nosso país.

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Ano VIIII, Maio de 2014







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