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Textos em destaque:



O co-piloto na Reitoria
Luiz Vieira

Encerrada a apuração do segundo turno da consulta para Reitor da Universidade Federal do Rio de janeiro, cada instância apresenta os resultados de acordo com sua visão do pleito. Os regimentalistas usam o sistema de ponderação da resolução do CONSUNI, número 03 de 2015. De acordo com ela, Leher teve 25,007% dos votos do colégio eleitoral e Denise 23,897%, diferença de apenas 1,11% entre as duas chapas. Para o candidato vencedor, adepto da paridade, o que vale são os 13.377 votos recebidos, dos quais 9.538 de alunos, contra os 6.580 votos de sua concorrente, que venceu na categoria docente por 1.851 a 1.133. Muitos dos alunos que ajudaram a eleger Leher já terão deixado a universidade antes do fim de seu mandato...

Eu, talvez por deformação profissional, vou adotar uma abordagem mais espacial, comparar os candidatos por seções eleitorais. São 50 seções eleitorais, das quais 11 referentes a alunos EAD (num total de 2.775 estudantes), no entanto, nem uma centena deles votou. A candidata Denise ganhou na categoria docente em 33 seções, Leher em 11, houve um empate e em 5 seções EAD não houve votos. Em três centros, ela ganhou em todas as seções – CCMN, CT e CCJE. Ganhou ainda na Administração Central, Macaé e Xerem. No CCS ganhou em 8 das 12 seções, no CLA em 3 das 4. O candidato Leher, nessa categoria, venceu em 3 seções do CFCH, 2 seções do CCS, e no Museu Nacional. No segmento TAE , Leher venceu em 25 seções e Denise em 14, 11 seções não têm TAE. Em relação aos estudantes, Leher venceu em 30 seções, Denise em 9, houve dois empates e em 9 seções não houve votos.

O processo eleitoral apresentou algumas falhas que sempre são relevadas diante do enorme esforço dos membros da Comissão Coordenadora do Processo Sucessório (CCPS), mas será essa uma justificativa suficiente para eternizar os mesmos problemas? Um deles, foi o padrão diferente de cobertura da apuração nos dois turnos da eleição. Enquanto que no primeiro turno era possível acompanhar a evolução da apuração, no segundo isso foi muito mais difícil. A divulgação da votação por seções foi colocada na página da UFRJ no primeiro turno, isso não aconteceu agora. E o mais grave, a prática da boca de urna fora dos limites legais, no segmento estudantil. Exatamente o segmento que definiu a eleição.

Pode ser que a chapa 20 esqueça tudo o que falou na campanha e adote uma visão pragmática de administração, estamos vendo isso no governo federal. Ou não, e persevere num programa radical de reinvenção da UFRJ via um Congresso Universitário paritário. Contaria para isso com a maioria de votos de TAES e estudantes, supostos beneficiários de muitas promessas de campanha. Até agora a única habilidade comprovada de Leher e seu entorno é a capacidade de manter o controle indefinido de uma seção sindical e reproduzir isso a nível nacional no ANDES. Mas a gestão de uma universidade desse porte vai exigir bem mais do que isso.


Ano IX Maio de 2015


As Melhores Universidades Jovens da Terra em 2015

Clóvis Pereira – UFPR

A empresa britânica Thomson Reuters divulgou recentemente seu trabalho anual Times Higher Education 100 Under 50 Rankings 2015, com as 100 melhores Universidades Jovens do mundo. Isto é, instituições de ensino superior com menos de 50 anos de idade.

Este é um prestigiado documento que fornece um vislumbre do futuro para as instituições de nivel mundial em ascensão e que mostram um grande potencial que lhes permitirá a obtenção da excelência. Daí a importância do documento para a comunidade acadêmica internacional e para os gestores das instituições listadas.

Neste documento, a Thomson Reuters aplica os mesmos 13 indicadores de atuação que são utilizados na elaboração anual do THE World University Rankings. Estes indicadores são agrupados nas cinco áreas seguintes:

Ensino: valor 30%. Envolve, dentre outros itens, qualidade do ensino, número de estudantes estrangeiros matriculados na instituição, número de doutores titulados por aluno trabalhando na instituição, infraestrutura;

Pesquisa: valor 30%. Reputação de excelência avaliada entre pares, produtividade, impacto dessas publicações em nível mundial;

Citações: valor 30%. Influência na pesquisa científica e tecnológica;

Renda Indústria: valor 2,5%. Habilidade da instituição com o processo de inovação e repasse dessas criações para a indústria;

Inserção Internacional: valor 7,5%. Pessoas, pesquisa, inovação. Esta categoria observa a diversidade existente no campus da instituição e, em que grau de atuação seus estudantes colaboram com colegas de outras instituições internacionais em projetos de pesquisa. Em particular, estes são sinais que nos informam de modo claro como uma instituição de nível mundial está se desenvolvendo ou pretende se desenvolver visando o contexto mundial.

São as seguintes as três melhores jovens instituições de nível superior classificadas neste documento:

1º lugar: École Polytechnique Fédéral de Lausanne – Suíça, com 72,7 pontos. Esta instituição passou do 2ª lugar em 2014, para o 1ª lugar em 2015;


2º lugar: Pohang University of Science and Technology – Coréia do Sul, com 69,2 pontos. Esta instituição baixou do 1ª lugar em 2014, para o 2ª lugar em 2015;

3º lugar: Korea Advanced Institute of Science and Tecnhology – Coréia do Sul, com 68,3 pontos. Manteve-se em 3º lugar de 2014 para 2015.

Quando analisamos o documento no contexto brasileiro observamos que dentre as jovens instituições de ensino superior, públicas e privadas, aqui existentes, apenas a UNICAMP foi classificada neste documento e, em 42º lugar, com 42,0 pontos.

Ela perdeu cinco posições em relação ao ano de 2014. A UNICAMP tem sido incluída nesta seleta listagem desde o ano de 2012 quando foi iniciada. Ao longo desse período sua posição tem sofrido variações para cima e para baixo na escala de avaliações. Mas nunca ficou entre as 10 melhores instituições.

Enquanto no Brasil as Universidades jovens, públicas e privadas, que são em número superior a 100 (se utilizarmos uma média de 6 Universidades jovens por Estado e multiplicarmos pelo número de Estados brasileiros), continuam patinando em gelo fino sobre águas profundas e, sem a preocupação de apresentar melhoria de qualidade, em função de planejamentos e políticas públicas inexistentes e, que deveriam ser direcionadas para a melhoria da qualidade do Sistema Universitário brasileiro, o país não consegue entrar na corrente do desenvolvimento científico e tecnológico exponencialmente desenvolvido.
Este fato nos sinaliza que diretrizes erradas desorientam a criação e manutenção do Sistema Universitário brasileiro. Somos o “país do faz de conta?”.

Quando os gestores públicos, com golpes insensatos, acometem contra o Sistema Universitário brasileiro não fazendo reformas estruturantes necessárias que permitam o Sistema fluir e crescer com graciosidade, é tempo e hora para que a sociedade brasileira que trabalha, estuda, faz pesquisa científica, produz, gera riquezas, gera empregos, paga impostos e vota, acorde do estado de letargia que se encontra e passe a enxergar e exigir dos gestores responsáveis que esse grave problema seja equacionado e resolvido.

No mundo atual e futuro, não faz e não fará sentido, o Brasil continuar na rabeira do desenvolvimento científico e tecnológico. Se assim permanecer teremos falhado na construção de uma nação livre e próspera para as gerações que virão.

Para que o país construa e mantenha um excelente Sistema de Ensino Superior, é necessário além de sabedoria, competência, visão estratégica clara de futuro e vontade política por parte de seus gestores, que o Sistema tenha também o suporte de forte apoio financeiro governamental.

Ao enfatizamos a importância do vigoroso financiamento governamental à pesquisa, especialmente a pesquisa básica, lembramos que nos dias atuais e para o futuro próximo de nossa pátria a ciência precisa e precisará de mais apoio financeiro por meio de fundos púbicos. Lembramos em especial aos gestores de nosso Sistema Universitário, se é que esse nosso apelo os interesse, que a exemplo do céu escuro nas noites do hemisfério Sul quando não há Lua cheia, o alcance atual da ciência no Brasil é muito escuro.

O grande problema é: os gestores públicos responsáveis pelo nosso Sistema Universitário têm sabedoria, competência, conhecimento, visão estratégica de futuro, neurônios suficientes, desejo e vontade que lhes permitam enxergar o quadro das necessidades do Sistema de Ensino Superior de nossa pátria para que consigamos entrar na corrente do competitivo desenvolvimento científico e tecnológico mundial?

A degradação da instituição Universidade, que está em curso há mais de 13 anos, nos levará a perdermos nossa identidade nacional e nossa cultura. Enfraquecerá ainda mais nossa ciência e nossa tecnologia, que não são exponencialmente desenvolvidas, e baixará também o nível de vida da sociedade brasileira como um todo.

Os gestores do Sistema Universitário de nossa pátria chegam e vão embora, vários deles em períodos de poucos meses. Suas ações permanecem para o bem, se são corretas, ou para o mal, se são erradas, para a sociedade brasileira que trabalha, estuda, produz riquezas, gera empregos, faz pesquisa científica e pesquisa tecnológica, paga impostos e vota.

O óbvio é que o Brasil merece e precisa possuir algumas Universidades de nível mundial, ou de excelência. Como se trata de um processo demorado para que uma instituição atinja esta condição, o processo de planejamento estratégico, escolha de instituições, estímulo às instituições escolhidas que deveriam estar trabalhando com este propósito, deveria ter sido iniciado há vários anos pelos gestores do Sistema Universitário brasileiro. Mas como essas pessoas não têm visão estratégica clara de futuro para nossa pátria, La nave (Brasile) va alla deriva.


Ano IX Maio de 2015


Carta Aberta a Marcelo Miranda da Silva

(a propósito do panfleto que escreveu em apoio a uma candidata a reitoria da UFRJ)
Luis Paulo Vieira Braga


“O trabalho que a Angela fez como Diretora do Instituto de Matemática foi, simplesmente, excelente. Ela teve a coragem de encarar problemas que o Instituto vinha enfrentando de forma recorrente, e resolvê-los. Igualmente importante, ela soube construir dentro do Instituto um ambiente de convivência muito mais cordial, que também teve um papel determinante na melhora acadêmica que se seguiu. Ao final do seu mandato o IM-UFRJ era uma instituição muito diferente, para melhor, daquela que ela tinha assumido.

Conversei com a Angela várias vezes, tanto nesse período como durante o decanato. Sempre fiquei impressionado com a compreensão lúcida e pragmática que ela tem do Instituto e da Universidade. Além de ser uma excelente administradora, a Professora tem uma capacidade de iniciativa e diálogo fora do comum. O IM-UFRJ já se beneficiou muito com isso. Além disso, ela tem uma visão abrangente da Universidade e sua missão, da pesquisa e pós-graduação à administração, passando pela graduação e pela extensão, que considero fundamental para uma Reitora.

Tenho certeza que a Angela será uma excelente Reitora. Com o seu perfile e a ampla experiência que ela tem, como Diretora, Decana e Pró-reitora, ela está especialmente equipada para promover uma renovação da UFRJ, tal como fez no IM.” Marcelo Miranda da Silva


A pífia votação obtida pela candidata, excluída do segundo turno, e o apoio de professores, alunos e técnicos administrativos à outra candidata já seriam uma resposta mais do que suficiente ao panfleto redigido por um nome respeitável na comunidade científica brasileira. Porém, as imprecisões são tantas, que me sinto obrigado a denunciá-las, para que o público atingido conheça outra versão da trajetória dessa dirigente que dirigiu o instituto por apenas 3 anos, de julho de 1999 a julho de 2002, um ano antes de terminar o mandato. Depois dela, três diretores contribuiram para a evolução acadêmica da unidade. Não é verdade que esse ponto de inflexão ocorreu em sua gestão, quatro anos antes, de 1995 a 1999, apesar de ser um período de vacas magras para a universidade, foram entregues, na minha gestão, para a comunidade do instituto a Biblioteca Leopoldo Nachbin e os primeiros laboratórios de informática para a graduação. Realizaram-se 35 concursos docentes, dois professores titulares tornaram-se eméritos nesse período. Muitos eventos científicos ocorreram com o patrocínio do instituto e a participação destacada de alguns de seus professores, entre eles - a II Jornada de Equações Diferenciais Parciais, Encounter on Dynamical Systems, Workshop Internacional de Combinatória, Jornadas de Iniciação Científica e o XXVI Encontro do Projeto Fundão. Toda uma série de publicações também foi produzida nesse período – 23 títulos da série Estudos e Comunicações, Números 5, 6 e 7 da revista de Iniciação Científica assim como as Atas dos Eventos patrocinados pelo Instituto.

As dificuldades de convivência principais naquele período diziam respeito à adaptação de um grupo de doutores formados pelo IMPA, instituição do panfletista, em um dos departamentos do Instituto. Esse grupo, com alto nível de produção científica, apoiou a minha gestão e não o contrário. Por outro lado, as instalações da unidade encontravam-se em péssimas condições, conseguiu-se fazer algumas reformas e trazer cerca de 20 professores que ficavam em um galpão na ligação ABC para gabinetes no bloco C. Se alguma coisa poderia ter sido feita pela gestora dos sonhos do Marcelo, seria um prédio para o instituto, oportunidade houve, devido às verbas do REUNI e à posição que ocupava na Decania do CCMN. No entanto, o que resultou disso foi pior do que a emenda da emenda do soneto. O projeto implementado não foi do agrado dos professores e além do mais teve erros que comprometeram sua conclusão, assim o prédio do IM integra hoje o cemitério de obras inacabadas da UFRJ.



Inauguração das novas instalações da Biblioteca Leopoldo Nachbin, até hoje a maior obra realizada no bloco C, térreo, do CT, aonde está instalado o Instituto de Matemática. À minha direita, André Nachbin, filho de um dos maiores matemáticos brasileiros, ele mesmo matemático e pesquisador do IMPA.

As mentiras do primeiro turno das eleições para reitor na UFRJ

"Ao final do seu mandato o IM-UFRJ era uma instituição muito diferente, para melhor, daquela que ela tinha assumido."Carta de apoio de Marcelo Miranda Vianna à cabeça da chapa 10".
Na foto abaixo: Inauguração do lci (laboratório de computação da informática). Dona Deise descerra a placa comemorativa. Há 15 anos atrás (1995-1999) dispor de um laboratório como esse não era nada fácil. Mente a propaganda ao atribuir à candidata poderes milagrosos. Sequer cumpriu seu mandato até o final.



As mentiras do primeiro turno das eleições para reitor na UFRJ
"Ao final do seu mandato o IM-UFRJ era uma instituição muito diferente, para melhor, daquela que ela tinha assumido."Carta de apoio de Marcelo Miranda Vianna à cabeça da chapa 10".
Na foto abaixo: Capa da edição comemorativa dos 30 anos do Instituto de Matemática em 1998, iniciativa de minha gestão 1995-1999. O miolo da revista era produzido na gráfica do IM e a capa na Divisão Gráfica da UFRJ. A candidata, em 1999, declarou que apoiaria a gráfica, após empossada fechou suas instalações e o Instituto deixou de imprimir suas publicações.




As mentiras do primeiro turno das eleições para reitor na UFRJ
"Ao final do seu mandato o IM-UFRJ era uma instituição muito diferente, para melhor, daquela que ela tinha assumido."Carta de apoio de Marcelo Miranda Vianna à cabeça da chapa 10".
Na foto abaixo: Somente em 2009, com as verbas do REUNI, bem depois da saída da candidata da direção do IM, foi feito um projeto que não agradou os docentes, quanto à localização e ao tamanho (em tempo, a figura no plano diretor não corresponde ao que foi efetivado). Embora previsto para janeiro de 2012, a obra se encontra parada atualmente.




As mentiras do primeiro turno das eleições para reitor na UFRJ
" Igualmente importante, ela soube construir dentro do Instituto um ambiente de convivência muito mais cordial, que também teve um papel determinante na melhora acadêmica que se seguiu." Carta de apoio de Marcelo Miranda Vianna à cabeça da chapa 10
Na foto abaixo, capa do livro em memória de Leopoldo Nachbin (publicado em 1997, durante a minha gestão) trata-se de um dos maiores matemáticos brasileiros, professor do IM e dono de uma reputação nada cordial. É tolice dizer que cordialidade incentiva a pesquisa de bom nível. O nível acadêmico do IM evoluiu graças ao trabalho de todas as gestões de 1995 para cá.



Ano IX Abril de 2015



O Co-piloto no segundo turno

Luiz Vieira



O resultado das eleições na UFRJ tirou da disputa a chapa da situação, já no primeiro turno. Não se esperava que ficasse de fora tão cedo, restando aos seus partidários remanescentes a alternativa de aprofundar uma aliança com a chapa 20, encabeçada por um líder de movimento sindical que já foi presidente da ADUFRJ-SS e do ANDES-SN.


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Ano IX Abril de 2015


Helter Skelter
Luiz Vieira



Pode parecer completo nonsense tentar estabelecer um paralelo entre um líder psicopata de uma seita na Califórnia, nos anos sessenta, e um cabeça de chapa numa eleição para reitor de uma autarquia numa nação sul-americana. O caso Manson tem três componentes principais – o homem, o meio e a ideologia. Endurecido por uma infância em reformatórios, condenado e encarcerado por crimes menores, encontrou no ambiente psicodélico dos anos sessenta o meio desestruturado que combinava com sua total rejeição ao modo de vida tradicional norte-americano. Ele e os jovens descartados da sociedade constituíram uma comunidade em um antigo cenário de filmes de faroeste. 


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Ano IX Abril de 2015


Rankings e rinques
Luis Vieira



O Cybermetrics Lab, um grupo de pesquisa que pertence ao Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) da Espanha, publicou um ranking de cientistas brasileiros de acordo com o seu índice H e número de publicações, em fevereiro de 2015, ver link. Embora todo o ranking tenha o seu viés, os contendores ruins perdem em todos os rinques e os bons ganham. 


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Nota do autor: Conforme advertido no início do texto, cada rankeamaento traz o seu viés. O do currículo Lattes só considera artigos de periódicos cadastrados no Web of Science, não considera livros, capítulos de livros ou atas de congressos. O do Google considera todo o tipo de publicação, mas não faz uma verificação de nomes, o que pode resultar em confusão entre autores. A marca de jogo da velha após alguns nomes indica que pode estar havendo superposição.


Ano IX  Março de 2015



UM PRÓ-REITOR NÃO PODE FAZER ISTO UM CANDIDATO A REITOR NÃO PODE SE OMITIR FRENTE A ISTO



O Ministério Público Federal já abriu investigação.
A Justiça Federal já emitiu sentença contra a UFRJ.
Mas isso está errado. Relatório Acadêmico deveria estar sendo ACADEMICAMENTE avaliado. E não JUDICIALMENTE.
Uma ilegalidade administrativa deveria estar sendo julgada pelo CEG, pelo CONSUNI, não pela Polícia. Um Pró-Reitor NÃO PODE administrar com o que chama alegremente de Grupos, porque isso não é coisa de cientista, mas de miliciano.
Um Reitor tem que dialogar e administrar é com as instâncias formais da Universidade!


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Ano IX Março de 2015



Quem quer ser um reitorário?

(sobre as eleições para reitor na UFRJ)
Luis Vieira



Muita gente pelo visto, não são só os três professores que emprestam seus nomes, mas todo o núcleo de pessoas, em torno de cada um. Por esse motivo o neologismo – reitorário. Para um dos núcleos é óbvio – Lei da Inércia, ou perpetuar-se no poder, segurança e prosperidade. Já o seu antípoda se apresenta com um princípio de afirmação - Um outro mundo é possível, sim, nós podemos! E, finalmente, o tertius busca a sobrevivência do espírito, adorador da ideia, sonha recuperar o prestígio do templo.

E a plebe, o que deseja, além de obrigações justas, sombra e água fresca?

Estranho programa de perguntas esse, esqueceram as perguntas. Céus, como se resolverá o impasse entre os competidores se não há perguntas a fazer?

Uma comissão de notáveis poderia ser chamada para propor questões cujas respostas somente eles conheceriam, mas comissões anteriores jamais se colocaram de acordo sobre as perguntas e muito menos sobre as respostas.

Eles poderiam fazer perguntas entre si, como nos programas eleitorais, mas esse procedimento sempre terminava em acusações escabrosas.

Foi então que um entregador de pizza, cansado de esperar pelo pagamento, sugeriu apenas uma pergunta, cuja resposta deveria ser clara o suficiente para o eleitorado se convencer de quem seria o melhor reitorário.

O que é uma universidade?



Comentários:

No dia 25 de março, a UFRJ realizou seu primeiro debate entre os candidatos a Reitor, as regras nem sempre estiveram claras para os participantes, e os sorteios de estudantes, técnicos e professores pareciam sob medida, principalmente no caso de professores. Nas respostas aos estudantes, os representantes das chapas 10 e 20 usaram o seu tempo para atacar a chapa 30. A tabelinha entre as chapas 10 e 20 foi evidente o tempo todo, destinada a isolar a chapa 30 que representa a interrupção do continuísmo. Recorrendo à baixa política, objetivaram colar no representante da chapa 30 a etiqueta Vilhena, dramatizando ao extremo aquele período que, do ponto de vista legal, não representou ruptura da legalidade, embora tenha sido uma gestão ilegítima. A representante da chapa 30, inexperiente políticamente, não soube se defender. Pior do que a etiqueta Vilhena é a etiqueta Dilma que a atual reitoria da chapa 10 representa e da qual a chapa 20 é linha auxiliar.




Ano IX Março de 2015


Ranking Universitário 2015 de Países de Economias Emergentes e de Países do BRICS
Clovis Pereira – UFPR



A empresa britânica Thomson Reuters divulgou o documento anual Times Higher Education BRICS & Emerging Economies Rankings 2015, que relaciona as 100 melhores Universidades dos países classificados por FTSE The Index Company, como Economias Emergentes, incluindo os países que formam o BRICS. FTSE é um
índice que mede vários mercados e classes de ativos em mais de 80 países.

Neste particular, lembramos que em janeiro de 2015 o Brasil foi classificado pela empresa Marsh e pela consultoria Business Monitor, como “pais emergente fraco”. Em fevereiro de 2015 a consultoria e agência britânica de classificação de risco Economist Intelligence Unit retirou o grau de investimento que havia concedido ao Brasil em janeiro de 2012.

Os Rankings universitários globais existentes são produzidos anualmente por empresas especializadas com o objetivo de fornecer informações sobre as Universidades avaliadas sob o ponto de vista regional e global. Esses Rankings podem ajudar o(a) jovem em idade universitária, a comparar com precisão as Universidades de seu país e do mundo, no momento de fazer sua escolha para realizar estudos. Eles também orientam os gestores dos países avaliados, quando da tomada de decisões sobre políticas públicas para melhorias em seus sistemas de C & T e Ensino universitário. Não sabemos se essa prática é usual para os gestores do sistema universitário brasileiro.

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Ano IX  Março de 2015


Passando na Globo News
Obsmulti



“O MPL deve ter como perspectiva a mobilização dos jovens e trabalhadores pela expropriação do transporte coletivo, retirando-o da iniciativa privada, sem indenização, colocando-o sob o controle dos trabalhadores e da população. Assim, deve-se construir o MPL com reivindicações que ultrapassem os limites do capitalismo, vindo a se somar a movimentos revolucionários que contestam a ordem vigente. Portanto, deve-se participar de espaços que possibilitem a articulação com outros movimentos, sempre analisando o que é possível fazer de acordo com a conjuntura local.” Carta de Princípios do MPL

O programa “Encontros com MC” brindou-nos essa semana com uma entrevista dada pela socióloga SN que acompanhou de perto o Movimento Passe Livre. Embora a intenção principal do programa fosse a análise dos Reality Shows, a maior parte da conversa ficou centrada na questão das manifestações de junho de 2013 e a sua retomada recente pelo MPL. A primeira questão colocada pelo entrevistador foi exatamente sobre a menor repercussão das manifestações, ao que a entrevistada justificou como sendo principalmente efeito da ação policial, voltada agora, segundo ela, para machucar individualmente os manifestantes. Mesmo a dispersão não seria uma prioridade, a ênfase é assustar as pessoas para que não voltem às ruas. Por outro lado, a classe trabalhadora, no capitalismo atual, está pouco organizada.

Insistindo na comparação, MC citou o problema da água em São Paulo com sendo um motivo a mais para se reivindicar. A socióloga disse que sua única certeza sobre a questão da água é a presença da polícia na rua para reprimir protestos. Por esse motivo é necessário insistir na questão da organização da classe trabalhadora o que o MPL está iniciando a partir dos bairros, descentralizando e envolvendo os moradores no movimento. Por outro lado, o MPL ficou focado na questão dos transportes e não embarcou em uma pauta ampla como aquela que brotou nas ruas em junho de 2013.

MC aventou a hipótese do esvaziamento relativo das manifestações (ainda assim são expressivas) à violência dos Black Blocks, ao que a pesquisadora rechaçou pois em junho de 2013 houve ações dos Black Blocks com barricadas e fogos sem que isso afastasse os demais manifestantes. Para ela o que inibe a participação é a ação da polícia e a falta de organização dos trabalhadores.

Insistindo na comparação entre os dois períodos (junho de 2013 e agora) o apresentador indagou sobre o nível de violência. Segundo a professora SN, a polícia está mais organizada e consegue controlar melhor as manifestações, porém se a questão da água se agravar, poderá haver um envolvimento maior dos trabalhadores. Segundo ela, o transporte e a água são direitos, mas no sistema capitalista são tratados como mercadorias, sujeitas aos interesses imediatistas do capital. O governo, por seu lado, representa esses interesses e exerce o controle nos momentos de crise.



Ano IX Fevereiro de 2015


NOTA DE MÍDIA

1.500 BOLSAS DE ESTUDO NO BRASIL PODEM SER SUSPENSAS



Cerca de 1500 Bolsistas de 32 universidades brasileiras, de 16 estados, estão ameaçados de ter os seus pagamentos suspensos já nos próximos meses. São bolsistas de graduação e de pós-graduação dos Programas de Recursos Humanos da ANP/MCTI da área de petróleo, gás e biocombusíveis que foram criados em 1999 e além de terem recebido inúmeras premiações, têm mais de 80% de empregabilidade. Esta interrupção causará a paralização de importantes pesquisas para o país  Muitos destes alunos vivem com o dinheiro de suas bolsas e, deste modo, esta interrupção causará um problema social imediato. Isto está ocorrendo porque não há, até o momento, qualquer previsão orçamentária do governo para estes Programas sustentarem os bolsistas atuais que desenvolvem pesquisas de ponta tecnológica nesta área estratégica para o país.

NOTA PARA OS ALUNOS



As bolsas dos Programas de Recursos Humanos da ANP/MCTI (PRH/ANP/MCTI) podem ser interrompidas já nos próximos meses deste ano. Os PRHs estão atualmente sem repasse de financiamento do governo, o que poderá causar a paralização imediata do pagamento dos atuais bolsistas de todo o Brasil, que afeta 32 universidades brasileiras e institutos de pesquisa de 16 Estados. A mobilização de vocês é vital para todos nós pressionarmos os canais competentes e pleitearmos a continuidade das bolsas e dos PRHs.



Ano IX Janeiro  2015



O Fio da Navalha
*
Luis Vieira



Um espectro assombra os docentes que perseguem o perfil de cientista - a contínua produção científica atestada em mais e cada vez mais publicações científicas - assegurando bolsas, pró-labores, fama e reverência. Não é fácil, exige muito empenho e nem sempre escrúpulos. A atividade de pesquisa custa caro, consome equipamentos, livros, insumos, passagens, diárias, etc., custeados pelo dinheiro do contribuinte, eufemisticamente chamado de dinheiro público. Assim, em tempos de cortes no orçamento da educação, qualquer cidadão, com dados e argumentos tem o direito de questionar o que está sendo feito pela universidade nas suas atividades fim, dentre elas, a pesquisa científica. A pergunta mais elementar que se pode fazer - Está a universidade brasileira produzindo ciência de qualidade? Como atestar isso?

*nome do livro de W.S.Maugham

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Ano IX Janeiro 2015


Retrospectiva 2014
OBSUNI



O oitavo ano de existência do Projeto OBSUNI foi marcado por eventos significativos que sinalizam uma mudança de qualidade do projeto.

Em fevereiro, participamos da Maratona de Negócios da Campus Party e ficamos em primeiro lugar na categoria Jornalismo e Comunicação.

Embora, o foco do Projeto seja a educação superior no Brasil, o tema direitos humanos, pela sua abrangência e envolvimento, foi contemplado diversas vezes no clipping e em vídeos. Do nosso ponto de vista, esses direitos também devem ser respeitados para o cidadão de bem, que se manifesta contra os abusos dos governantes, incluindo-se aí, os estudantes que, em diversos países vão às ruas protestar contra regimes autoritários. Em particular, o registro em vídeo da fala da deputada venezuelana Corina Machado,em comissão do Senado brasileiro, no canal OBSUNI no You Tube, alcançou mais de 195.000 visualizações.

O fundamento do projeto é a produção de textos reflexivos sobre a educação superior no Brasil. Somente em 2014, foram produzidos cerca de 20 textos que podem ser lidos na página principal do projeto ou na página de postagens. Dentre eles, Ciência: Propostas Para o Avanço , recebeu destaque do Senador Álvaro Dias, cujo gabinete em correspondência ao autor, escreveu: "... Pela importância do tema e profundidade de sua análise, o senador determinou que o texto "Ciência: Propostas para o Avanço" seja inserido na Pauta de Estudos do Grupo de Trabalho de nosso Gabinete, para melhor conhecimento e análise." A questão da qualidade da produção científica também recebeu destaque, foram publicados diversos textos, dentre eles: Qualis sob suspeita e Submundo Acadêmico que despertaram o interesse da revista Veja, que publicou sua própria matéria sobre o tema, colocando-o na pauta de discussão sobre a ciência produzida no Brasil.

Ao final do ano, o diretor do Projeto inaugurou o escritório do OBSUNI no Rio de Janeiro e também foi agraciado com o Prêmio Cultura do Distrito LC-1 do Lions Club.

O próximo ano traz desafios enormes para a educação superior que não fica imune à grave crise institucional, econômica, financeira e social pela qual passa o Brasil.

O Observatório da Universidade deseja a seus contatos e parceiros um Feliz Natal e muitas alegrias em 2015.


Ano VIII Dezembro 2014



Ranking Universitário 2014 de Países do BRICS e de Países de Economias Emergentes Não Pertencentes ao BRICS

Clovis Pereira – UFPR



A empresa britânica Thomson Reuters divulgou seu trabalho Times Higher Education BRICS & Emerging Economies Rankings 2014, que relaciona as 100 melhores Universidades dos países que formam o BRICS e de países não pertencentes ao BRICS, classificados como Economias Emergentes pelo índice FTSE The Index Company.

FTSE  é um índice que mede vários mercados e classes de ativos em mais de 80 países, incluindo os países que formam o BRICS (um acrônimo que se refere aos países membros fundadores que juntos formam um grupo político de cooperação). O BRICS é formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Na base do Ranking Times Higher Education BRICS e Economias Emergentes, versão 2014, há um exercício sofisticado de coleta de informações e análise para detalhar os critérios utilizados que avaliam as melhores Universidades dos países classificados no contexto acima citado.

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Ano VIII Novembro 2014




CONAE 2014

A Composição
Luis Vieira



Em 2010, quando da realização do I CONAE, comentei, em um artigo, a composição dos delegados que decidem como vai ser a educação no Brasil. Naquela ocasião, após exaustiva análise concluí - Mas é evidente que a composição do CONAE reflete a predominância do setor sindical e do setor público. Como o governo atual tem muitos dos seus quadros oriundos do movimento sindical, há de certa maneira uma replicação de perfis que, se por um lado dá mais homogeneidade ao CONAES, por outro, lhe subtrai a diversidade de experiências e também sua representatividade real.

Quatro anos depois o número de delegados passa de 2.884 para 4.500! Dentre os quais novamente predominam largamente os mesmos setores apesar da presença real do setor privado na educação brasileira. Em alguns casos, há até uma dupla representação sindical, por exemplo, no Forum Nacional de Educação, que organiza o CONAE, há um delegado efetivo da Representação dos Movimentos em Defesa do Direito à Educação que é um pool de organizações que inclue o MST e a CNTE - filiada à CUT. No mesmo Forum organizador do CONAE estão presentes delegados das Centrais Sindicais - o efetivo é da CUT, e também da CNTE, da CONFENEM, da CONTEE, da FASUBRA, do PROIFES, da UNE, da UBES, da representação do campo - o delegado efetivo é da CONTAG. Da sociedade civil organizada não sindical há um delegado da CNI e um do sistema S. Do setor privado apenas um representante. Não se vê representantes de categorias profissionais. A comunidade científica tem um solitário representante. As universidades católicas não têm representante.

A consequência se vê na definição dos eixos, na programação, nas resoluções que priorizam uma pauta classista situando a educação como instrumento de “justiça social”, mas o conteúdo da Conferência será objeto de um segundo artigo, da mesma forma como fizemos há quatro anos atrás sobre as recomendações do CONAE 2010 para o ensino superior.


Ano VIII Novembro de 2014



Ciência: Propostas Para o Avanço
Clóvis Pereira – UFPR



O objetivo central deste texto é propor a criação de planos estruturais, ações e metas, à próxima administração do Estado do Paraná a ser iniciada em janeiro de 2015, como soluções estratégicas que respondam a questões relevantes para o avanço da ciência no Paraná. A ciência e seu desenvolvimento devem ser uma preocupação de governo.

Neste texto ao citarmos a palavra ciência, estaremos nos referindo ao seu significado amplo, a exemplo do contido no texto que citamos abaixo.

No documento intitulado Rigor e Integridade na Condução da Pesquisa Científica, Rio de Janeiro: ABC, p. 2, 2013, encontra-se o seguinte sobre a ciência: “A Ciência envolve todo conhecimento sistematizado, obtido por meio de observação, experimentação e raciocínio. Ela busca aumentar a compreensão do mundo natural, físico e social, assim como da mente humana. Nessa dimensão, a Ciência abrange as chamadas Ciências Exatas, Naturais, Sociais e as Humanidades”.

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Ano VIII Outubro de 2014




IBGE, preocupações de uma pesquisadora  
Denise Britz do Nascimento Silva (ENCE-IBGE)



Escrevo para compartilhar com vocês minha enorme preocupação com o que está ocorrendo no momento com o IBGE ... ou melhor... com o que pode vir a ocorrer. Acho que o momento é muito grave e precisamos avaliar o situação com toda a complexidade envolvida. Não acho que podemos ou devemos considerar a comissão de especialistas de forma isolada. Não é este o caso. Foram criadas duas comissões e uma delas é de sindicância.

As 2 comissões foram criadas num movimento único do Governo e eu não consigo acreditar que esta(s) ação(ões) ocorrereu(am) com real e único foco na melhoria dos processos do IBGE e da produção de estatísticas oficiais.. um bem público.

Concordo plenamente que a comissão de especialistas é formada sem dúvida por excelentes pesquisadores e pessoas de alta respeitabilidade mas não podemos esquecer que este governo não está agindo de forma respeitosa com o IBGE no momento de criar duas comissões, uma para analisar a PNAD 2013 e outra que é uma comissão de sindicância.

Não há dúvida que o IBGE cometeu um erro e que uma avaliação independente trará melhorias aos protocolos de trabalho do IBGE e benefício à nação.

Entretanto... a forma que as comissões estão sendo criadas é inadequada para fazer jus à história e ao serviço do IBGE para o País.

Notem que apoio ao IBGE não se traduz em desconsiderar o erro cometido. Erramos... e isto indica a necessidade de uma revisão de protocolos... e uma avaliação externa pode e deve ser um caminho importante neste processo de revisão.

Em 1997, o IBGE solicitou ao Statistics Canada um avaliação dos nosso processos de trabalho. O trabalho de avaliação técnica realizado pelo StatsCan foi detalhado e importantíssimo para o IBGE. Como consequência, o IBGE se modernizou e a avaliação realizada teve efeitos extremamente benéficos para a instituição.

Mas, hoje, desta vez, não foi dada ao IBGE a oportunidade de criar esta ou outra comissão de especialistas (nacionais ou internacionais) ou de informar à socidedade como trataria a avaliação dos processos. Esta opção nos foi negada. Fomos atropelados pela notícias da criação de duas comissões.. sendo uma delas a comissão de sindicância.

Acho muito bom que a comissão de especialistas independentes seja composta pelas pessoas citadas. Tenho certeza que o IBGE receberá bem esta comissão. Alguns dos participantes já são ou foram participantes de comitês técnicos a convite do IBGE. Mas... estamos (pelo menos eu estou) de luto pela criação das comissões da forma que ocorreu.

Participei na semana passada de um workshop sobre qualidade em pesquisas realizado em Washignton (ITSEW2014 - International Total Survey Error Workshop). Neste seminário tive conhecimento sobre um erro cometido pelo Statistics Sweden em 2010*. Devido a isto, o Governo da Suécia definiu que o Statistics Sweden deveria implantar uma revisão de qualidade em suas pesquisas e um relatório deveria ser produzido para ser entregue ao Ministro das Finanças: "The government of Sweden stated in Statistics Sweden’s appropriations directive for 2011 that the agency was required to complete on going work within the area of quality and that significant quality improvements were to be reported to the Ministry of Finance at end of 2011 and every year following. A report was requested in the form of specific indicators that
signify any quality improvements that are occurring in pre-specified, key programs."


Uma comissão mista com membros internos e externos à instituição foi proposta e montada pelo Statistics Sweden. Os dois membros externos são: Paul Biemer , especialista em Survey Methods e Denis Trewin (ex-presidente do Australian Bureau of Statistics ). O trabalho de avaliação ainda está em andamento e sua metodologia e resultados podem ser encontrados em 2 artigos: A System for Managing the Quality of Official Statistics e A Tool for Managing Product Quality.

Relato o caso para colocar os fatos que ocorreram com a ratificação de estimativas produzidas pelo IBGE num contexto comparativo com o dia-a-dia dos vários Institutos Nacionais de Estatística do mundo. O erro aconteceu, na Suécia e no Brasil, os processos de trabalho precisam ser revisados mas a forma de fazê-lo é na busca da qualidade.

No caso do Brasil, não acho corretas as ações que o MPOG está tomando, e da forma que está fazendo, em relação ao IBGE. Entendo que um momento difícil como este sempre alavanca discussões importantes que podem trazer melhorias para a produção das Estatísticas Públicas. Entretanto, muita água ainda vai rolar... as palavras e ações tem peso e, sempre, consequências.

Não escrevo em nome do IBGE mas não há como separar meu julgamento da minha história profissional. Não gostaria que esta mensagem fosse vista como uma fala corporativista, mas entendo que não tenho como evitar isto.

*http://www.scb.se/en_/Finding-statistics/Statistics-by-subject-area/National-Accounts/National-Accounts/National-Accounts-quarterly-and-annual-estimates/Aktuell-Pong/22918/Behallare-for-Press/Correction-Net-lendingborrowing-for-local-government-2009-non-financial-sector-accounts/


Ano VIII Outubro de 2014




Ranking Universitário Folha 2014
Clóvis Pereira – UFPR



Recentemente a Folha de São Paulo divulgou o Ranking Universitário Folha – RUF 2014. Uma listagem das Universidades brasileiras de melhor desempenho, de acordo com os indicadores avaliados que são: Ensino; Pesquisa; Inserção no Mercado de Trabalho; Inovação; Internacionalização.

O RUF 2014 conta com uma listagem de 192 Universidades. Segundo seus responsáveis, o ranking procura medir a qualidade das Universidades brasileiras, em suas diferentes missões (ensino, pesquisa e extensão. Cf. Art. 207 da Constituição Brasileira) a partir de metodologias utilizadas em rankings internacionais, mas com adaptações para o contexto brasileiro.

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Ano VIII  Setembro 2014






Controle Social da Academia
Luis Vieira



Um dos mantras preferidos pela esquerda, o controle social das atividades do Estado, tem sido propagado ad nauseam pelos seus inúmeros partidos na propaganda eleitoral. O decreto presidencial 8.243, Política Nacional de Participação Social, cuja implantação está, por ora, suspensa pela legislação eleitoral, aprofunda a metamorfose do Estado brasileiro em um Estado de sovietes. Desfaçadamente, o governo central gera a própria crise que justifica a mudança, a corrupção e a ineficiência desses últimos 12 anos são debitados ao Estado democrático de direito, constituído a partir da Constituição de 1988 (a qual boa parte da esquerda não subscreveu).

Nas universidades federais, regidas a colegiados, a materialização do propalado controle social é a constituição de sindicatos e associações estudantis classistas (leia-se revolucionárias) cuja atuação ultrapassa o domínio das reivindicações trabalhistas para se instalar no centro das deliberações da instituição universitária. Como se isso fosse pouco, as entidades reivindicam também o direito de indicar os representantes nos colegiados, retirando da administração da instituição de ensino superior, responsável perante a lei e a sociedade, a prerrogativa de organizar o processo de escolha dos representantes. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro a constituição de seu colegiado maior – Conselho Universitário – prevê que a indicação dos representantes discentes é prerrogativa das entidades estudantis mas não havia nada tão explícito quanto às congregações de unidade e foi exatamente numa delas – Escola de Educação Física e Desportos que se instalou uma polêmica sobre quem deveria organizar as eleições – a administração da IES ou o Centro Acadêmico. Por considerar que não feria o Estatuto da Universidade, o diretor da EEFD manteve o procedimento institucional e foi por isso acusado de autoritarismo, para dizer o mínimo. A controvérsia só foi resolvida, no âmbito da UFRJ, em maio de 2014, a favor das classes oprimidas, é claro, através da resolução no 5* (que não contempla colegiados de departamentos), demonstrando, no entanto, que o professor da EEFD não tinha violado nenhuma norma dessa universidade, senão ela não teria se feito necessária.

Dificuldades dessa natureza somadas aos problemas crônicos da administração federal desencorajam vocações para a gestão universitária, a menos que as motivações sejam de natureza política.



*Resolução No 5/2014 do CONSUNI da UFRJ

Art. 1º Reafirmar a prerrogativa das entidades representativas dos estudantes na organização do processo de escolha dos representantes discentes nos colegiados superiores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, bem como nas Congregações das Unidades Acadêmicas e colegiados equivalentes dos Órgãos Suplementares.


Comentários recebidos:


 Indicação de representantes discentes

 Uma coisa é definir quem convoca e comanda as eleições dos representantes no Consuni ou nas Congregações. Outra coisa, muito diferente, é definir quem comanda o processo de indicação. As entidades estudantis não querem comandar esse processo, substituindo a instituição federal. Elas não querem elas mesmas fazerem as eleições. Elas simplesmente não querem essas eleições com voto direto dos discentes elegendo os representantes discentes. Parece parecido. Mas é muito diferente. De um lado, um processo eleitoral. De outro lado, um processo de indicação de representantes sem eleição desses representantes pelos que serão representados. Se a UFRJ quer conceder assentos, em seus Colegiados, para as entidades do movimento estudantil, tudo bem, maravilha. Só não pode é com isso zerar a indicação de representantes discentes com eleições similares às que convoca para os representantes docentes.

L.E.R.Carvalho


Ano VIII  setembro 2014


                           
                                                                                                                                  
O atalho que não leva a lugar algum
Luis Vieira



O contexto que envolve a publicação de periódicos pouco confiáveis reflete a crise mundial da atividade científica em universidades e entidades de pesquisa. Pesquisar é caro e não necessariamente traz retornos imediatos ou mesmo dignos de nota. A crise econômica global provocou graves cortes de verbas em todo o mundo. Em 2013 estive na Espanha e pude verificar a difícil situação dos pesquisadores espanhóis, muitos abandonando o país, ou a profissão. Nesse quadro fica mais difícil manter uma atividade científica de qualidade e divulgá-la nos periódicos consagrados o que equivale a não ter feito nada. A revolta contra o império das publicações, concentrado em poucas editoras internacionais, provocou manifestações individuais (Higgs, Schekman) e coletivas (DORA).

Infelizmente, ao invés de buscar soluções íntegras, maus empreendedores distorceram a iniciativa do periódicos "open access" que visava facilitar o acesso a publicações científicas e a transformaram numa indústria de "papers" de segunda categoria, tipo - pagou, publicou.

O OBSUNI/Prof. Vinicius Arcaro rastrearam no Brasil a amplitude dessa má iniciativa, já denunciada amplamente no exterior, (veja o experimento da revista Science), muitos periódicos pouco confiáveis estão certificados pelo banco Qualis da CAPES e as IES brasileiras estão aceitando essas publicações como evidência de produção científica.

Se a fórmula tem ajudado as carreiras daqueles que praticam esse atalho, certamente não é o caso da posição brasileira no ranking de importância da ciência mundial. Trabalho recente baseado no Web of Science, premiações internacionais e impacto na pesquisa só identificou cinco pesquisadores radicados no Brasil como sendo dignos de nota na ciência mundial. A recente indicação de um brasileiro para a medalha Fields constitui mais uma exceção do que a regra.


Ano VIII Agosto 2014



                                                                                                                                                                                                                
Os Cientistas mais Influentes no Mundo Atual e o Contexto Brasileiro*
Clóvis Pereira – UFPR



O objetivo deste texto é repercutir no contexto acadêmico brasileiro e no âmbito dos governos estaduais e federal o documento elaborado e divulgado recentemente por Thomson Reuters, intitulado World’s Most Influential Scientific Minds 2014.

O documento, com 108 páginas, contém uma análise dos mais importantes e influentes cientistas da Terra que trabalham em diversas áreas do conhecimento. Em busca de resposta para a pergunta:
Who are some of the best and brightest scientific minds of our time?

Os peritos da Thomson Reuters analisaram dados disponíveis existentes na Web Science e em plataformas de incentivo para determinar os pesquisadores que têm produzido trabalhos de relevância em pesquisa científica, em diversas áreas do conhecimento, que são mais frequentemente reconhecidos por seus pares em diferentes países do mundo. Para o trabalho acima citado foram consultados diretórios de pesquisa altamente citados.

Na introdução do documento em pauta encontramos a seguinte afirmação: These researchers are, undoubtedly, among the most influential scientific minds of our time.

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Ano VIII Agosto de 2014




A Era do Conhecimento Globalizado 
Clóvis Pereira – UFPR



O objetivo deste texto é alertar a administração central, a comunidade acadêmica e a sociedade do Estado do Paraná para a necessidade de criar e executar projetos estruturais que visem, em longo prazo, reformular o Sistema Público de Ensino Superior do Estado.

Lembramos que quando há erros na estrutura da educação escolar superior de um Estado ou de um País, os administradores que têm o poder de agir na tomada de decisões também têm a responsabilidade de agir para consertar o que está errado nessa estrutura.

Na era do conhecimento no mundo globalizado atual o bem mais precioso de um Estado, ou de um País, é o seu capital humano detentor de boa educação escolar em níveis fundamental e médio e em nível superior. Sabemos que investimentos em educação escolar de excelente qualidade, em ciência e em tecnologia em harmonia com um bom projeto de desenvolvimento estadual, representam a melhor estratégia para um bom administrador e sua equipe de assessores.

Neste contexto é imprescindível a importância da boa educação escolar superior (graduação e pós-graduação stricto sensu) ofertada por um Estado, ou por um País a seus filhos. O estágio da boa educação escolar superior só poderá ser atingido por intermédio da boa qualidade de suas Universidades. Emerge daí a necessidade de constante vigilância por parte da administração central do Estado sobre o Sistema Público de Ensino Superior do Paraná, que é formado por sete Universidades Estaduais.

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Ano VIII  julho 2014




Submundo acadêmico*
Luis Vieira



Introdução

Em matéria anterior, "Qualis sob suspeita", alertamos sobre a propagação de periódicos questionáveis no sistema acadêmico brasileiro, sob a chancela da CAPES através da inclusão desses periódicos no Qualis. No Brasil, assim como no exterior, a publicação de artigos científicos tornou-se a medida preponderante para o acesso e progressão nas universidades.

Com a imitação do modelo Americano "Publish or Perish", a competição para publicar artigos foi acirrada no mundo todo. Pressionados por suas instituições, alguns pesquisadores escolhem o caminho mais curto e condenável. Esse caminho consiste em escolher periódicos cujo tempo para publicação seja relativamente curto. A maneira que esses periódicos utilizam para oferecer uma redução do tempo para publicação é através da simplificação do processo de revisão pelos pares (peer-review-process). Por esse motivo, utiliza-se o eufemismo questionável para tais periódicos. Em muitos deles, a revisão pelos pares simplesmente não existe, conforme demonstrado em 2013 por John Bohannon.

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Ano VIII, julho 2014



                                                                                 
Qualis sob suspeita*
Luis Vieira
                                                                                                               


Introdução

No final da década de oitenta apareceram os primeiros periódicos on-line no sistema Open Access. Diante do alto custo das assinaturas dos periódicos impressos, a novidade foi muito bem recebida e difundiu-se rapidamente em todo o mundo. No Directory of Open Access Journal (DOAJ) há mais de 9000 periódicos cadastrados. No Brasil a iniciativa conjunta da FAPESP com o CNPq deu origem à Scientific Eletronic Library on Line (SCIELO) que abrange mais de 300 periódicos com acesso livre.

Na maioria das vezes, o sistema Open Access é visto com reserva pela comunidade científica tradicional e pelas grandes editoras. O principal motivo é a cobrança de taxa para publicação, disfarçada em taxa de processamento do manuscrito, em geral variando de $ 200 USD até $ 1000 USD. O conflito de interesses sempre vai suscitar dúvidas quanto à qualidade dos artigos publicados. Fator de contratação de novos professores ou pesquisadores e também promoção na carreira acadêmica, a publicação de artigos passou a ser alvo de práticas questionáveis. Existem muitos periódicos, com credibilidade conquistada durante décadas, que estão disponíveis para publicar e que nunca cobraram taxa do autor.

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Ano VIII  Julho de 2014
                                                                                                           



Desde Leiden
Luis Vieira



O Centro de Estudos de Ciência e Tecnologia (CWTS) da Universidade de Leiden, Holanda, divulgou uma avaliação sobre a pesquisa no Brasil no período 2003-2012. Os dados são baseados no Web of Science produzido pela Thomson Reuters. Como diferencial em relação a outras avaliações, o estudo do CWTS oferece a opção de se considerar indicadores que independam do tamanho da instituição e que contabilizem fracionadamente a participação de cada instituição em trabalhos comuns. Há ainda opções para avaliar cooperação internacional e intranacional, assim como trabalhos desenvolvidos em parceria com empresas. 

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Ano VIII Junho de 2014




O Circo da Copa do Mundo não é lugar para demonstrações médicas
Luis Vieira



A imagem pouco transmitida mais comentada nas redes sociais é a de um experimento há muito anunciado pela equipe de um neurocientista brasileiro – fazer um paraplégico dar o chute inicial da Copa do Mundo usando um exoesqueleto desenvolvido por sua equipe. Simpático ao regime, contou com o apoio do então Ministro da Ciência e Tecnologia para criar um instituto de pesquisas no Rio Grande do Norte. Trouxe da Universidade de Duke, nos EUA, aonde trabalhou, o know-how para a recuperação de deficientes físicos a partir de equipamentos ligados diretamente ao cérebro do paciente. Aqui no Brasil, atritos no interior de sua equipe provocaram a evasão de muitos de seus membros, mas o trabalho continuou assim mesmo e a meta de fazer um show ao vivo na abertura da Copa encantou o governo brasileiro que deu luz verde para o evento.

Sem prejuízo aos benefícios à medicina que seus trabalhos possam trazer, a escolha da abertura da Copa do Mundo, que é puro entretenimento e comércio, para a divulgação de um experimento delicado e dramático para um paciente, não podia ter sido mais infeliz. Um torneio para-olímpico poderia ser uma alternativa mais apropriada. Não sei até que ponto Sociedades Médicas ou Científicas endossaram a iniciativa. Em uma reunião na Academia Brasileira de Ciências, ouvi de um palestrante crítica à natureza dos experimentos que estavam sendo conduzidos pelo pesquisador e sua equipe. Mas, tanto quanto se saiba, não houve nenhuma manifestação pública desaconselhando a prática.

O cuidadoso andamento da cerimônia de abertura que deveria ser descontraído e animado, sem maiores constrangimentos, inibiram destaque à demonstração que transcorreu discretamente num lado do campo, sobre um pequeno tapete. O desmoronamento das instituições e de um norte ético estão criando um ambiente de indiferença e tolerância. Nesse caso, ao menos há supostamente um objetivo nobre, mas a qual preço?


Ano VIII Junho de 2014 

 






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