Envie seu comentário para as "Postagens" usando o link “Contato”, o mesmo será publicado ao final da postagem correspondente.




Textos em destaque:


 Universidade a gosto

 Luiz Vieira




Há uma greve, em curso, dos servidores públicos federais, incluindo-se os docentes de algumas instituições federais de ensino superior(IFES), cujas seções sindicais pertencem ao ANDES, embora nem todas elas tenham aderido e mais recentemente a ADUFRJ-SS tenha saído da greve. Foi exatamente na UFRJ que as tensões entre grevistas e não grevistas adquiriram uma conotação de natureza até então inédita na UFRJ e que representa o coroamento de um processo de assimilação da universidade pelas organizações sindicais de professores, alunos e técnicos administrativos.


Leia mais



Comentários:


Sobre a Resolução CONSUNI 05/2014, feita sob medida para sufocar a autonomia universitária no interior da "unidade mencionada" vale destacar que a sua promulgação não implicou em correção do lapso regimental da UFRJ.

Muito pelo contrário, trata-se de um dispositivo contrainstitucional que afronta ilegalmente o Art 12, inciso XXI do Regimento da UFRJ, além dos Art. 21 e Art. 29, § 6º, do Estatuto da UFRJ, determinando inclusive que todas unidades, de forma compulsória, sejam obrigadas a seguir o que determina o Art. 64, § 8º, do mesmo documento, o qual corresponde à composição do CONSUNI.

Por último, vale observar que a mesma resolução do CONSUNI colide com a Lei 7.395/85, indevidamente citada em seu caput, a qual revogou a Lei 6.680/79, da Ditadura Militar, que no seu Art. 3º determinava que na forma dos estatutos e regimentos dos estabelecimentos de ensino, cabia ao Diretório indicar a representação estudanti nos colegiados acadêmicos.


L.


Ano IX Agosto de 2015





Recuperar a Universidade

Clovis Pereira - UFPR



      

O objetivo central deste artigo é apontar à sociedade brasileira a má qualidade do Sistema Nacional de Graduação – SNG, pois a questão da Universidade diz respeito a toda à nação. Simultaneamente, propomos aos gestores responsáveis pelo sistema universitário brasileiro (SNG e SNPG) a elaboração de políticas universitárias, projetos estruturantes, metas e ações bem definidas -- e não maquiagens como expostas nas Metas 12, 13 e 14 do PNE (cf. MEC/SASE, 2014) -- para que seja iniciado o processo que, progressivamente, induza a melhoria substancial da qualidade do sistema universitário brasileiro. 


Leia mais



          Ano IX Agosto 2015





Por Que o Paraná Não Possui Universidades em Nível de Excelência?
Clóvis Pereira – UFPR



Introdução

O objetivo central deste texto é alertar, mais uma vez, os gestores da Secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná – SETI, responsáveis pela gestão do Sistema Estadual de Ensino Superior, e a sociedade paranaense, sobre a má qualidade da Universidade pública de nosso Estado.

Lembramos que a questão da qualidade da instituição Universidade no Paraná, seja ela pública ou privada, diz respeito à sociedade paranaense. Motivo pelo qual conclamamos a participação de todos, jovens e adultos, para evitarmos que gestores públicos -- que têm sido acometidos da típica privação do sentido da visão que costuma afetá-los após certo tempo nos cargos assumidos -- joguem no lixo a instituição Universidade paranaense.

Recomendamos a estes gestores a necessidade de elaboração e execução de corretos projetos e planos, e acertadas ações que, quando mantidos, iniciarão e manterão o lento processo para a construção de um bom Sistema de Ensino Superior público para o Paraná. É dever de o administrador central do Estado observar falhas, desempenhos pífios e irregularidades existentes no Sistema Estadual de Ensino Superior do Paraná e corrigi-las para o bem público.

Como parte da população culta, bem informada e com visão clara de futuro para nosso Estado, nós temos o dever de pensar, propor e pressionar os gestores públicos para a construção de condições dignas e avançadas, para o Sistema Estadual de Ensino Superior, que deverão ser legadas as futuras gerações do Estado do Paraná.

Leia mais


COMENTÁRIOS:

S.G.:  O Brasil é um país que maltrata seus professores, o resto é consequência.


Ano IX Junho 2015




A bolha do REUNI estourou
Luiz Vieira



A bolha sempre estoura no hemisfério mais fraco. No caso do REUNI, programa criado em 2007, pelo governo federal(1), para dobrar o número de vagas no ensino superior, isso significa menos recursos para bolsistas, para alojamentos, para refeições, ou seja, para aquele segmento que depende fortemente de ajuda governamental para estudar. No caso da UFRJ, a maior universidade federal do país, e uma das que menos obras estruturantes fez com as verbas do programa, a combinação é explosiva e explica, em parte, a mobilização de estudantes contra as restrições orçamentárias que atingem a universidade.

Os projetos do governo federal falharam e falham em um ou mais dos seguintes aspectos: adequação, implementação ou lisura que podem se dar em uma ou mais instâncias da administração federal. Como são carregados de ideologia, críticas ou denúncias são vistas como jogo do adversário. Escapar de investigações, buscar a absolvição ou confundir a opinião pública são atos de heroísmo partidário, recompensados com apoio e aplausos pela militância. A responsabilidade pelo que não deu certo é diluída na crise do capitalismo mundial, na herança maldita do governo FHC ou nas intrigas da midia golpista. Como governos não produzem riqueza, mas podem dilapidá-la, o desequilíbrio entre despesa e arrecadação no governo central levou ao contingenciamento orçamentário já no final de 2014 e aos cortes no orçamento de 2015. Para infelicidade do marketing, sintetizado no lema – pátria educadora, o ajuste fiscal bateu à porta da educação. Se a reação do governo é de minimizar o mal feito, para as oposições, à direita e à esquerda, o movimento é oposto, assim como as soluções. Para uns, deixar de pagar a dívida, aprofundar a socialização do país e cobrar mais impostos. Para outros, enxugar o estado, abrir a economia e cobrar mais pelos serviços públicos. Enquanto a resultante desse embate não se delineia, a incerteza sobre o futuro do país e de sua educação amplia-se a cada dia.

É nesse contexto que assume a reitoria da UFRJ uma administração de extrema esquerda, cujo reitor tem passagem pelo ANDES, CSP e MST. Tem também um currículo que lhe permitiu chegar ao nível de titular, bem ranqueado no Google Scholar ao qual subscreveu, apesar de suas críticas ao ranqueamento. Ordenar currículos nas ciências humanas é uma tarefa difícil. Estudo realizado com nossos mais destacados filósofos da atualidade, dentre os quais o atual ministro da educação, mostra resultados decepcionantes, com baixa repercussão internacional. Em se tratando do ministro, que foi diretor de avaliação da CAPES, um caso de feitiço se virando contra o feiticeiro.

Em sua intervenção inicial, na reunião do CONSUNI da UFRJ, no dia 11 de junho, o futuro reitor celebrou a presença maciça de estudantes no Conselho. A meu ver, não há o que celebrar, esses alunos deveriam estar nas salas de aula, laboratórios, estágios, etc. Se não estão lá, é porque algo de muito errado está acontecendo. E não me refiro ao excesso de pessoas em um ambiente fechado, com evidente risco de catátrofe humana, e sim à catástrofe de frustrar sonhos e expectativas de quem acreditou numa opção propagandeada com todo o peso das melhores agências de publicidade. E são da ordem de 400.000 estudantes presenciais a mais nas universidades federais em 2013, comparando-se com os números de 2007, de 615.542 para 1.045.507. No sistema de educação superior, como um todo, passou-se de 4.880.381 matrículas para 6.152.405, no mesmo período 2007-2013. O setor privado aumentou o número de matrículas na ordem de 700.000, de 3.639.413 para 4.374.431, o restante do crescimento foi devido a universidades estaduais e municipais.

Desse números, depreende-se também que os alunos de universidades federais representam, apenas, da ordem de 15% dos discentes de ensino superior em 2013. Assim como o REUNI, o PROUNI foi criado para viabilizar o aumento de matrículas no setor privado, objeto também de outro programa mais antigo, o FIES. Esses outros programas também sofreram cortes. Outras bolhas que estouraram.

(1) decreto presidencial 9.096, em 24 de Abril de 2007.


Ano IX  Junho de 2015


O caso Santa Maria!
Luiz Vieira



O memorando (Memorando Circular No. 02/2015, de 15 de maio de 2015) que o Pró-Reitor de Pós-Graduação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) mandou aos Programas de Pós-Graduação, a mando do Reitor, pedindo “informações sobre a presença ou perspectiva de discentes e/ou docentes israelenses” ganhou notoriedade nacional e até internacional pois reinaugura as ações de inteligência, de natureza ideológica, nas universidades federais brasileiras.

Muitas das reações de repúdio ao procedimento erram no alvo e na munição. O Pró-Reitor é um técnico típico, preocupado com máquinas agrícolas e com nenhum envolvimento aparente com as pautas dos movimentos sociais em geral, e de apoio à Autoridade Palestina ou Hamas, em particular. Tampouco é um caso típico de anti-semitismo, embora, para muitos judeus, ser crítico das políticas israelenses, dê no mesmo. Com isso, não estou isentando o agrônomo de sua parcela de responsabilidade, até porque também é bacharel em direito.

A origem do embroglio foi o envio ao Reitor, em 28 de agosto de 2014, de um ofício assinado pelo DCE, Associação de Docentes e Sindicato de Servidores, pedindo informações sobre cooperação acadêmica, tecnológica, de projetos, etc, com órgãos do governo israelense, universidades, laboratórios, etc. Em particular, o memorando destaca a evental cooperação com a empresa AEL, subsidiária da israelense ELBIT. Em acaso afirmativo, o documento pede o nome dos servidores responsáveis, assim como os documentos relacionados à toda e qualquer cooperação. Portanto, a coisa é bem maior do que parece e só vazou porque algum militonto conseguiu uma cópia do memorando enviado pelo Pró-Reitor de Pós-Graduação e carimbou-lhe as palavras de ordem “Freedom por Palestine” e “Boycott Israel”, afixando cópias em alguns quadros de aviso.

O Reitor, em nota pública, defende a UFSM, é sempre assim, aprontam e depois se dizem em defesa da instituição. Recentemente, esteve em Brasília na posse do novo Ministro da Educação e tornou pública a seguinte declaração “A afirmação da presidente Dilma Rousseff, na posse do ministro, na segunda-feira (6), de que os projetos estruturantes do Ministério da Educação não sofrerão qualquer tipo de interrupção ou sacrifício em termos orçamentários tranquiliza, dando a entender que a educação não seria tão afetada pelo contingenciamento econômico”. O que terá de sustentar diante da comunidade que lhe elegeu Reitor. Em tempo, só teve 35% dos votos dos docentes, foi eleito pelos TAES e estudantes. Aparentemente, é essa comunidade que cobra medidas severas contra o Estado de Israel, mas se cala a respeito dos projetos de cooperação em tecnologia de satélites com empresas Rússas, únicos no Brasil, assinados pelo Reitor em abril último, depois de um entendimento inicial na Feira Internacional de Defesa e Segurança (LAAD 2015). Ora, em termos de direitos humanos, o atual regime russo deixa muito a desejar...

A figura central desse episódio é o Reitor da UFSM, cuja nota oficial seria rejeitada por qualquer examinador de redação do ENEM, na qual se esquiva em assumir a responsabilidade por uma tentativa de passar ao largo das instâncias formais da universidade em um assunto tão grave, como o eventual boicote às instituições de outro país.


Ano IX  Junho de 2015


Apenas uma universidade latino-americana
Luiz Vieira


“Mas não se preocupe meu amigo
Com os horrores que eu lhe digo
Isso é somente uma canção
A vida realmente é diferente
Quer dizer
A vida é muito pior”

Belchior


Ao contrário da eficiente propaganda governamental, a educação superior vai mal, fruto da hipertrofia que tantos votos rendeu ao regime. As universidades tornaram-se outdoors do governo, seus reitores, obedientes signatários de manifestos de apoio, de Dilma a Fachin.

As portas abertas da academia foram sendo gradualmente fechadas para conter um bem explosivo – a ideologia da libertação, inebriante, mobilizadora e confortante. A universidade pilar da revolução, aberta aos movimentos sociais, fator de promoção social, de gênero e de raça. Inicialmente tomada pelos partidos de esquerda tradicionais que, uma vez instalados no poder central, passaram eles próprios a vidraça. Dissidências, novos partidos, ongs e movimentos sociais souberam capitalizar a insatisfação com as malogradas políticas educacionais, agravadas agora pelo colapso da política econômica. A universidade é a opção do momento para todo aquele que se quer fazer ouvir, favelado ou sem terra, excluído ou discriminado.

Se dinheiro não há, vão ouvir eu gritar. Os sindicatos mais agressivos se contrapõem ao sindicalismo oficial, os estudantes radicalizados esperneiam, quebram e barbarizam. Isso é recorrente nas universidades latino-americanas. Essa vocação messiânica, esse impasse de fim de mundo. Tão mais ambicioso, tanto mais impotente. Em um mundo de intensa criatividade científica, artística e intelectual, a universidade brasileira patina nas questões de sobrevivência de sempre. Salário, prédio, segurança, moradia, eleições. Coisa de colonizador em terra virgem.

Nunca, a universidade brasileira esteve tão longe da linha de frente das universidades mundiais. As três campeãs, cada uma a seu modo, agonizam no seu respectivo lado. E a tal destruição criativa deixa aos docentes a repulsa de aifoS, qual sindicato é menos ruim nesse momento? Dispender preciosas horas que sobraram do engarrafamento, da burocracia e das reuniões de condomínio&escola para esperar a votação que não vem nunca... Greve ou paralisação, protesto ou contesto, manifesto ou atesto?

Nessa direção em que nos apontam, não há nada para se ver. A universidade tem de ser esvaziada de seu conteúdo ideológico compulsório para poder se reerguer como organização dedicada ao ensino e à produção científica e cultural. Reitores, decanos, diretores devem ser eleitos em colegiados. As eleições diretas são cada vez mais puro circo. Tem que haver controle externo de contas, processos e procedimentos. A sociedade paga pela universidade, paga caro para uma oligarquia de docentes acumular cargos, projetos e poder a um nível raro, até mesmo para o mercado privado. Essa anarquia destrutiva é ótima para a locupletação legalizada ou clandestina. Sindicatos e oligarquias se complementam.

Se não há força interna para a mudança, pode-se tentar a ajuda de uma força externa. Se ela não existe, ou não é intensa o suficiente, então está na hora de ir construir seus sonhos alhures.

COMENTÁRIOS

A opção da administração federal, repleta de analfabetos funcionais, nos últimos 13 anos foi jogar a instituição universidade brasileira no lixo. E nós, membros da parte culta e bem informada do país permitimos.

C.P.

O Brasil talvez seja o único local do mundo que seja risco 0 para outros países e risco 100 para o próprio Brasil. Não existe maior inimigo do Brasil que o próprio Brasil.

G.




Ano IX Maio de 2015


O co-piloto na Reitoria
Luiz Vieira



Encerrada a apuração do segundo turno da consulta para Reitor da Universidade Federal do Rio de janeiro, cada instância apresenta os resultados de acordo com sua visão do pleito. Os regimentalistas usam o sistema de ponderação da resolução do CONSUNI, número 03 de 2015. De acordo com ela, Leher teve 25,007% dos votos do colégio eleitoral e Denise 23,897%, diferença de apenas 1,11% entre as duas chapas. Para o candidato vencedor, adepto da paridade, o que vale são os 13.377 votos recebidos, dos quais 9.538 de alunos, contra os 6.580 votos de sua concorrente, que venceu na categoria docente por 1.851 a 1.133. Muitos dos alunos que ajudaram a eleger Leher já terão deixado a universidade antes do fim de seu mandato...

Eu, talvez por deformação profissional, vou adotar uma abordagem mais espacial, comparar os candidatos por seções eleitorais. São 50 seções eleitorais, das quais 11 referentes a alunos EAD (num total de 2.775 estudantes), no entanto, nem uma centena deles votou. A candidata Denise ganhou na categoria docente em 33 seções, Leher em 11, houve um empate e em 5 seções EAD não houve votos. Em três centros, ela ganhou em todas as seções – CCMN, CT e CCJE. Ganhou ainda na Administração Central, Macaé e Xerem. No CCS ganhou em 8 das 12 seções, no CLA em 3 das 4. O candidato Leher, nessa categoria, venceu em 3 seções do CFCH, 2 seções do CCS, e no Museu Nacional. No segmento TAE , Leher venceu em 25 seções e Denise em 14, 11 seções não têm TAE. Em relação aos estudantes, Leher venceu em 30 seções, Denise em 9, houve dois empates e em 9 seções não houve votos.

O processo eleitoral apresentou algumas falhas que sempre são relevadas diante do enorme esforço dos membros da Comissão Coordenadora do Processo Sucessório (CCPS), mas será essa uma justificativa suficiente para eternizar os mesmos problemas? Um deles, foi o padrão diferente de cobertura da apuração nos dois turnos da eleição. Enquanto que no primeiro turno era possível acompanhar a evolução da apuração, no segundo isso foi muito mais difícil. A divulgação da votação por seções foi colocada na página da UFRJ no primeiro turno, isso não aconteceu agora. E o mais grave, a prática da boca de urna fora dos limites legais, no segmento estudantil. Exatamente o segmento que definiu a eleição.

Pode ser que a chapa 20 esqueça tudo o que falou na campanha e adote uma visão pragmática de administração, estamos vendo isso no governo federal. Ou não, e persevere num programa radical de reinvenção da UFRJ via um Congresso Universitário paritário. Contaria para isso com a maioria de votos de TAES e estudantes, supostos beneficiários de muitas promessas de campanha. Até agora a única habilidade comprovada de Leher e seu entorno é a capacidade de manter o controle indefinido de uma seção sindical e reproduzir isso a nível nacional no ANDES. Mas a gestão de uma universidade desse porte vai exigir bem mais do que isso.


Ano IX Maio de 2015



As Melhores Universidades Jovens da Terra em 2015
Clóvis Pereira – UFPR



A empresa britânica Thomson Reuters divulgou recentemente seu trabalho anual Times Higher Education 100 Under 50 Rankings 2015, com as 100 melhores Universidades Jovens do mundo. Isto é, instituições de ensino superior com menos de 50 anos de idade.

Este é um prestigiado documento que fornece um vislumbre do futuro para as instituições de nivel mundial em ascensão e que mostram um grande potencial que lhes permitirá a obtenção da excelência. Daí a importância do documento para a comunidade acadêmica internacional e para os gestores das instituições listadas.


Leia mais no link


Ano IX Maio de 2015


Carta Aberta a Marcelo Miranda da Silva
(a propósito do panfleto que escreveu em apoio a uma candidata a reitoria da UFRJ)
Luis Paulo Vieira Braga



“O trabalho que a Angela fez como Diretora do Instituto de Matemática foi, simplesmente, excelente. Ela teve a coragem de encarar problemas que o Instituto vinha enfrentando de forma recorrente, e resolvê-los. Igualmente importante, ela soube construir dentro do Instituto um ambiente de convivência muito mais cordial, que também teve um papel determinante na melhora acadêmica que se seguiu. Ao final do seu mandato o IM-UFRJ era uma instituição muito diferente, para melhor, daquela que ela tinha assumido..."

Leia mais no link


(a)






                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     (b)  





(c)

(a) Inauguração das novas instalações da Biblioteca Leopoldo Nachbin, até hoje a maior obra realizada no bloco C, térreo, do CT, aonde está instalado o Instituto de Matemática. À minha direita, André Nachbin, filho de um dos maiores  matemáticos brasileiros, ele mesmo  matemático e pesquisador do IMPA.
       (b) Inauguração do lci (laboratório de computação da informática). Dona Deise descerra a placa comemorativa. Há 15 anos atrás (1995-1999) dispor de um           laboratório como esse não era nada fácil. Mente a propaganda ao atribuir à candidata poderes milagrosos. Sequer cumpriu seu mandato até o final.
      (c) Revista de Iniciação Científica do IM uma das dezenas de publicação produzidas pelo IM na gestão 1995-1999. 
       (d) Na foto abaixo: Somente em 2009, com as verbas do REUNI, bem depois da saída da candidata da direção do IM, foi feito um projeto que não agradou os        docentes, quanto à localização e ao tamanho (em tempo, a figura no plano diretor não corresponde ao que foi efetivado). Embora previsto para janeiro de          2012, a obra se encontra parada atualmente.

                  
                                                                                                            (d)                  


 (e) Na foto abaixo, capa do livro em memória de Leopoldo Nachbin (publicado em 1997, durante a minha gestão) trata-se de um dos maiores matemáticos brasileiros, professor do IM e dono de uma reputação nada cordial. É tolice dizer que cordialidade incentiva a pesquisa de bom nível. O nível acadêmico do IM evoluiu graças ao trabalho de todas as gestões de 1995 para cá.

                                                          

Ano IX Abril de 2015



O Co-piloto no segundo turno
Luiz Vieira



O resultado das eleições na UFRJ tirou da disputa a chapa da situação, já no primeiro turno. Não se esperava que ficasse de fora tão cedo, restando aos seus partidários remanescentes a alternativa de aprofundar uma aliança com a chapa 20, encabeçada por um líder de movimento sindical que já foi presidente da ADUFRJ-SS e do ANDES-SN.


Leia mais no link


Ano IX Abril de 2015



Helter Skelter
Luiz Vieira



Pode parecer completo nonsense tentar estabelecer um paralelo entre um líder psicopata de uma seita na Califórnia, nos anos sessenta, e um cabeça de chapa numa eleição para reitor de uma autarquia numa nação sul-americana. O caso Manson tem três componentes principais – o homem, o meio e a ideologia. Endurecido por uma infância em reformatórios, condenado e encarcerado por crimes menores, encontrou no ambiente psicodélico dos anos sessenta o meio desestruturado que combinava com sua total rejeição ao modo de vida tradicional norte-americano. Ele e os jovens descartados da sociedade constituíram uma comunidade em um antigo cenário de filmes de faroeste. 


Leia mais no link


Ano IX Abril de 2015



Rankings e rinques
Luis Vieira



O Cybermetrics Lab, um grupo de pesquisa que pertence ao Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) da Espanha, publicou um ranking de cientistas brasileiros de acordo com o seu índice H e número de publicações, em fevereiro de 2015, ver link. Embora todo o ranking tenha o seu viés, os contendores ruins perdem em todos os rinques e os bons ganham. 


Leia  mais no link
Nota do autor: Conforme advertido no início do texto, cada rankeamaento traz o seu viés. O do currículo Lattes só considera artigos de periódicos cadastrados no Web of Science, não considera livros, capítulos de livros ou atas de congressos. O do Google considera todo o tipo de publicação, mas não faz uma verificação de nomes, o que pode resultar em confusão entre autores. A marca de jogo da velha após alguns nomes indica que pode estar havendo superposição.


Ano IX  Março de 2015



UM PRÓ-REITOR NÃO PODE FAZER ISTO UM CANDIDATO A REITOR NÃO PODE SE OMITIR FRENTE A ISTO



O Ministério Público Federal já abriu investigação.
A Justiça Federal já emitiu sentença contra a UFRJ.
Mas isso está errado. Relatório Acadêmico deveria estar sendo ACADEMICAMENTE avaliado. E não JUDICIALMENTE.
Uma ilegalidade administrativa deveria estar sendo julgada pelo CEG, pelo CONSUNI, não pela Polícia. Um Pró-Reitor NÃO PODE administrar com o que chama alegremente de Grupos, porque isso não é coisa de cientista, mas de miliciano.
Um Reitor tem que dialogar e administrar é com as instâncias formais da Universidade!


Leia mais no link


Ano IX Março de 2015




Quem quer ser um reitorário?
(sobre as eleições para reitor na UFRJ)
Luis Vieira



Muita gente pelo visto, não são só os três professores que emprestam seus nomes, mas todo o núcleo de pessoas, em torno de cada um. Por esse motivo o neologismo – reitorário. Para um dos núcleos é óbvio – Lei da Inércia, ou perpetuar-se no poder, segurança e prosperidade. Já o seu antípoda se apresenta com um princípio de afirmação - Um outro mundo é possível, sim, nós podemos! E, finalmente, o tertius busca a sobrevivência do espírito, adorador da ideia, sonha recuperar o prestígio do templo.

E a plebe, o que deseja, além de obrigações justas, sombra e água fresca?

Estranho programa de perguntas esse, esqueceram as perguntas. Céus, como se resolverá o impasse entre os competidores se não há perguntas a fazer?

Uma comissão de notáveis poderia ser chamada para propor questões cujas respostas somente eles conheceriam, mas comissões anteriores jamais se colocaram de acordo sobre as perguntas e muito menos sobre as respostas.

Eles poderiam fazer perguntas entre si, como nos programas eleitorais, mas esse procedimento sempre terminava em acusações escabrosas.

Foi então que um entregador de pizza, cansado de esperar pelo pagamento, sugeriu apenas uma pergunta, cuja resposta deveria ser clara o suficiente para o eleitorado se convencer de quem seria o melhor reitorário.

O que é uma universidade?



Comentários:

No dia 25 de março, a UFRJ realizou seu primeiro debate entre os candidatos a Reitor, as regras nem sempre estiveram claras para os participantes, e os sorteios de estudantes, técnicos e professores pareciam sob medida, principalmente no caso de professores. Nas respostas aos estudantes, os representantes das chapas 10 e 20 usaram o seu tempo para atacar a chapa 30. A tabelinha entre as chapas 10 e 20 foi evidente o tempo todo, destinada a isolar a chapa 30 que representa a interrupção do continuísmo. Recorrendo à baixa política, objetivaram colar no representante da chapa 30 a etiqueta Vilhena, dramatizando ao extremo aquele período que, do ponto de vista legal, não representou ruptura da legalidade, embora tenha sido uma gestão ilegítima. A representante da chapa 30, inexperiente políticamente, não soube se defender. Pior do que a etiqueta Vilhena é a etiqueta Dilma que a atual reitoria da chapa 10 representa e da qual a chapa 20 é linha auxiliar.




Ano IX Março de 2015



Ranking Universitário 2015 de Países de Economias Emergentes e de Países do BRICS
Clovis Pereira – UFPR



A empresa britânica Thomson Reuters divulgou o documento anual Times Higher Education BRICS & Emerging Economies Rankings 2015, que relaciona as 100 melhores Universidades dos países classificados por FTSE The Index Company, como Economias Emergentes, incluindo os países que formam o BRICS. FTSE é um
índice que mede vários mercados e classes de ativos em mais de 80 países.

Neste particular, lembramos que em janeiro de 2015 o Brasil foi classificado pela empresa Marsh e pela consultoria Business Monitor, como “pais emergente fraco”. Em fevereiro de 2015 a consultoria e agência britânica de classificação de risco Economist Intelligence Unit retirou o grau de investimento que havia concedido ao Brasil em janeiro de 2012.

Os Rankings universitários globais existentes são produzidos anualmente por empresas especializadas com o objetivo de fornecer informações sobre as Universidades avaliadas sob o ponto de vista regional e global. Esses Rankings podem ajudar o(a) jovem em idade universitária, a comparar com precisão as Universidades de seu país e do mundo, no momento de fazer sua escolha para realizar estudos. Eles também orientam os gestores dos países avaliados, quando da tomada de decisões sobre políticas públicas para melhorias em seus sistemas de C & T e Ensino universitário. Não sabemos se essa prática é usual para os gestores do sistema universitário brasileiro.

Leia mais


Ano IX  Março de 2015



Passando na Globo News
Obsmulti



“O MPL deve ter como perspectiva a mobilização dos jovens e trabalhadores pela expropriação do transporte coletivo, retirando-o da iniciativa privada, sem indenização, colocando-o sob o controle dos trabalhadores e da população. Assim, deve-se construir o MPL com reivindicações que ultrapassem os limites do capitalismo, vindo a se somar a movimentos revolucionários que contestam a ordem vigente. Portanto, deve-se participar de espaços que possibilitem a articulação com outros movimentos, sempre analisando o que é possível fazer de acordo com a conjuntura local.” Carta de Princípios do MPL

O programa “Encontros com MC” brindou-nos essa semana com uma entrevista dada pela socióloga SN que acompanhou de perto o Movimento Passe Livre. Embora a intenção principal do programa fosse a análise dos Reality Shows, a maior parte da conversa ficou centrada na questão das manifestações de junho de 2013 e a sua retomada recente pelo MPL. A primeira questão colocada pelo entrevistador foi exatamente sobre a menor repercussão das manifestações, ao que a entrevistada justificou como sendo principalmente efeito da ação policial, voltada agora, segundo ela, para machucar individualmente os manifestantes. Mesmo a dispersão não seria uma prioridade, a ênfase é assustar as pessoas para que não voltem às ruas. Por outro lado, a classe trabalhadora, no capitalismo atual, está pouco organizada.

Insistindo na comparação, MC citou o problema da água em São Paulo com sendo um motivo a mais para se reivindicar. A socióloga disse que sua única certeza sobre a questão da água é a presença da polícia na rua para reprimir protestos. Por esse motivo é necessário insistir na questão da organização da classe trabalhadora o que o MPL está iniciando a partir dos bairros, descentralizando e envolvendo os moradores no movimento. Por outro lado, o MPL ficou focado na questão dos transportes e não embarcou em uma pauta ampla como aquela que brotou nas ruas em junho de 2013.

MC aventou a hipótese do esvaziamento relativo das manifestações (ainda assim são expressivas) à violência dos Black Blocks, ao que a pesquisadora rechaçou pois em junho de 2013 houve ações dos Black Blocks com barricadas e fogos sem que isso afastasse os demais manifestantes. Para ela o que inibe a participação é a ação da polícia e a falta de organização dos trabalhadores.

Insistindo na comparação entre os dois períodos (junho de 2013 e agora) o apresentador indagou sobre o nível de violência. Segundo a professora SN, a polícia está mais organizada e consegue controlar melhor as manifestações, porém se a questão da água se agravar, poderá haver um envolvimento maior dos trabalhadores. Segundo ela, o transporte e a água são direitos, mas no sistema capitalista são tratados como mercadorias, sujeitas aos interesses imediatistas do capital. O governo, por seu lado, representa esses interesses e exerce o controle nos momentos de crise.



Ano IX Fevereiro de 2015



NOTA DE MÍDIA

1.500 BOLSAS DE ESTUDO NO BRASIL PODEM SER SUSPENSAS



Cerca de 1500 Bolsistas de 32 universidades brasileiras, de 16 estados, estão ameaçados de ter os seus pagamentos suspensos já nos próximos meses. São bolsistas de graduação e de pós-graduação dos Programas de Recursos Humanos da ANP/MCTI da área de petróleo, gás e biocombusíveis que foram criados em 1999 e além de terem recebido inúmeras premiações, têm mais de 80% de empregabilidade. Esta interrupção causará a paralização de importantes pesquisas para o país  Muitos destes alunos vivem com o dinheiro de suas bolsas e, deste modo, esta interrupção causará um problema social imediato. Isto está ocorrendo porque não há, até o momento, qualquer previsão orçamentária do governo para estes Programas sustentarem os bolsistas atuais que desenvolvem pesquisas de ponta tecnológica nesta área estratégica para o país.

NOTA PARA OS ALUNOS



As bolsas dos Programas de Recursos Humanos da ANP/MCTI (PRH/ANP/MCTI) podem ser interrompidas já nos próximos meses deste ano. Os PRHs estão atualmente sem repasse de financiamento do governo, o que poderá causar a paralização imediata do pagamento dos atuais bolsistas de todo o Brasil, que afeta 32 universidades brasileiras e institutos de pesquisa de 16 Estados. A mobilização de vocês é vital para todos nós pressionarmos os canais competentes e pleitearmos a continuidade das bolsas e dos PRHs.



Ano IX Janeiro  2015



O Fio da Navalha*
Luis Vieira



Um espectro assombra os docentes que perseguem o perfil de cientista - a contínua produção científica atestada em mais e cada vez mais publicações científicas - assegurando bolsas, pró-labores, fama e reverência. Não é fácil, exige muito empenho e nem sempre escrúpulos. A atividade de pesquisa custa caro, consome equipamentos, livros, insumos, passagens, diárias, etc., custeados pelo dinheiro do contribuinte, eufemisticamente chamado de dinheiro público. Assim, em tempos de cortes no orçamento da educação, qualquer cidadão, com dados e argumentos tem o direito de questionar o que está sendo feito pela universidade nas suas atividades fim, dentre elas, a pesquisa científica. A pergunta mais elementar que se pode fazer - Está a universidade brasileira produzindo ciência de qualidade? Como atestar isso?

*nome do livro de W.S.Maugham

Leia mais


Ano IX Janeiro 2015



Retrospectiva 2014
OBSUNI



O oitavo ano de existência do Projeto OBSUNI foi marcado por eventos significativos que sinalizam uma mudança de qualidade do projeto.

Em fevereiro, participamos da Maratona de Negócios da Campus Party e ficamos em primeiro lugar na categoria Jornalismo e Comunicação.

Embora, o foco do Projeto seja a educação superior no Brasil, o tema direitos humanos, pela sua abrangência e envolvimento, foi contemplado diversas vezes no clipping e em vídeos. Do nosso ponto de vista, esses direitos também devem ser respeitados para o cidadão de bem, que se manifesta contra os abusos dos governantes, incluindo-se aí, os estudantes que, em diversos países vão às ruas protestar contra regimes autoritários. Em particular, o registro em vídeo da fala da deputada venezuelana Corina Machado,em comissão do Senado brasileiro, no canal OBSUNI no You Tube, alcançou mais de 195.000 visualizações.

O fundamento do projeto é a produção de textos reflexivos sobre a educação superior no Brasil. Somente em 2014, foram produzidos cerca de 20 textos que podem ser lidos na página principal do projeto ou na página de postagens. Dentre eles, Ciência: Propostas Para o Avanço , recebeu destaque do Senador Álvaro Dias, cujo gabinete em correspondência ao autor, escreveu: "... Pela importância do tema e profundidade de sua análise, o senador determinou que o texto "Ciência: Propostas para o Avanço" seja inserido na Pauta de Estudos do Grupo de Trabalho de nosso Gabinete, para melhor conhecimento e análise." A questão da qualidade da produção científica também recebeu destaque, foram publicados diversos textos, dentre eles: Qualis sob suspeita e Submundo Acadêmico que despertaram o interesse da revista Veja, que publicou sua própria matéria sobre o tema, colocando-o na pauta de discussão sobre a ciência produzida no Brasil.

Ao final do ano, o diretor do Projeto inaugurou o escritório do OBSUNI no Rio de Janeiro e também foi agraciado com o Prêmio Cultura do Distrito LC-1 do Lions Club.

O próximo ano traz desafios enormes para a educação superior que não fica imune à grave crise institucional, econômica, financeira e social pela qual passa o Brasil.

O Observatório da Universidade deseja a seus contatos e parceiros um Feliz Natal e muitas alegrias em 2015.


Ano VIII Dezembro 2014



Ranking Universitário 2014 de Países do BRICS e de Países de Economias Emergentes Não Pertencentes ao BRICS
Clovis Pereira – UFPR



A empresa britânica Thomson Reuters divulgou seu trabalho Times Higher Education BRICS & Emerging Economies Rankings 2014, que relaciona as 100 melhores Universidades dos países que formam o BRICS e de países não pertencentes ao BRICS, classificados como Economias Emergentes pelo índice FTSE The Index Company.

FTSE  é um índice que mede vários mercados e classes de ativos em mais de 80 países, incluindo os países que formam o BRICS (um acrônimo que se refere aos países membros fundadores que juntos formam um grupo político de cooperação). O BRICS é formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Na base do Ranking Times Higher Education BRICS e Economias Emergentes, versão 2014, há um exercício sofisticado de coleta de informações e análise para detalhar os critérios utilizados que avaliam as melhores Universidades dos países classificados no contexto acima citado.

Leia mais


Ano VIII Novembro 2014



CONAE 2014
A Composição
Luis Vieira



Em 2010, quando da realização do I CONAE, comentei, em um artigo, a composição dos delegados que decidem como vai ser a educação no Brasil. Naquela ocasião, após exaustiva análise concluí - Mas é evidente que a composição do CONAE reflete a predominância do setor sindical e do setor público. Como o governo atual tem muitos dos seus quadros oriundos do movimento sindical, há de certa maneira uma replicação de perfis que, se por um lado dá mais homogeneidade ao CONAES, por outro, lhe subtrai a diversidade de experiências e também sua representatividade real.

Quatro anos depois o número de delegados passa de 2.884 para 4.500! Dentre os quais novamente predominam largamente os mesmos setores apesar da presença real do setor privado na educação brasileira. Em alguns casos, há até uma dupla representação sindical, por exemplo, no Forum Nacional de Educação, que organiza o CONAE, há um delegado efetivo da Representação dos Movimentos em Defesa do Direito à Educação que é um pool de organizações que inclue o MST e a CNTE - filiada à CUT. No mesmo Forum organizador do CONAE estão presentes delegados das Centrais Sindicais - o efetivo é da CUT, e também da CNTE, da CONFENEM, da CONTEE, da FASUBRA, do PROIFES, da UNE, da UBES, da representação do campo - o delegado efetivo é da CONTAG. Da sociedade civil organizada não sindical há um delegado da CNI e um do sistema S. Do setor privado apenas um representante. Não se vê representantes de categorias profissionais. A comunidade científica tem um solitário representante. As universidades católicas não têm representante.

A consequência se vê na definição dos eixos, na programação, nas resoluções que priorizam uma pauta classista situando a educação como instrumento de “justiça social”, mas o conteúdo da Conferência será objeto de um segundo artigo, da mesma forma como fizemos há quatro anos atrás sobre as recomendações do CONAE 2010 para o ensino superior.


Ano VIII Novembro de 2014


Ciência: Propostas Para o Avanço
Clóvis Pereira – UFPR



O objetivo central deste texto é propor a criação de planos estruturais, ações e metas, à próxima administração do Estado do Paraná a ser iniciada em janeiro de 2015, como soluções estratégicas que respondam a questões relevantes para o avanço da ciência no Paraná. A ciência e seu desenvolvimento devem ser uma preocupação de governo.

Neste texto ao citarmos a palavra ciência, estaremos nos referindo ao seu significado amplo, a exemplo do contido no texto que citamos abaixo.

No documento intitulado Rigor e Integridade na Condução da Pesquisa Científica, Rio de Janeiro: ABC, p. 2, 2013, encontra-se o seguinte sobre a ciência: “A Ciência envolve todo conhecimento sistematizado, obtido por meio de observação, experimentação e raciocínio. Ela busca aumentar a compreensão do mundo natural, físico e social, assim como da mente humana. Nessa dimensão, a Ciência abrange as chamadas Ciências Exatas, Naturais, Sociais e as Humanidades”.


Leia mais


Ano VIII Outubro de 2014



IBGE, preocupações de uma pesquisadora  
Denise Britz do Nascimento Silva (ENCE-IBGE)



Escrevo para compartilhar com vocês minha enorme preocupação com o que está ocorrendo no momento com o IBGE ... ou melhor... com o que pode vir a ocorrer. Acho que o momento é muito grave e precisamos avaliar o situação com toda a complexidade envolvida. Não acho que podemos ou devemos considerar a comissão de especialistas de forma isolada. Não é este o caso. Foram criadas duas comissões e uma delas é de sindicância.

As 2 comissões foram criadas num movimento único do Governo e eu não consigo acreditar que esta(s) ação(ões) ocorrereu(am) com real e único foco na melhoria dos processos do IBGE e da produção de estatísticas oficiais.. um bem público.

Concordo plenamente que a comissão de especialistas é formada sem dúvida por excelentes pesquisadores e pessoas de alta respeitabilidade mas não podemos esquecer que este governo não está agindo de forma respeitosa com o IBGE no momento de criar duas comissões, uma para analisar a PNAD 2013 e outra que é uma comissão de sindicância.

Não há dúvida que o IBGE cometeu um erro e que uma avaliação independente trará melhorias aos protocolos de trabalho do IBGE e benefício à nação.

Entretanto... a forma que as comissões estão sendo criadas é inadequada para fazer jus à história e ao serviço do IBGE para o País.

Notem que apoio ao IBGE não se traduz em desconsiderar o erro cometido. Erramos... e isto indica a necessidade de uma revisão de protocolos... e uma avaliação externa pode e deve ser um caminho importante neste processo de revisão.

Em 1997, o IBGE solicitou ao Statistics Canada um avaliação dos nosso processos de trabalho. O trabalho de avaliação técnica realizado pelo StatsCan foi detalhado e importantíssimo para o IBGE. Como consequência, o IBGE se modernizou e a avaliação realizada teve efeitos extremamente benéficos para a instituição.

Mas, hoje, desta vez, não foi dada ao IBGE a oportunidade de criar esta ou outra comissão de especialistas (nacionais ou internacionais) ou de informar à socidedade como trataria a avaliação dos processos. Esta opção nos foi negada. Fomos atropelados pela notícias da criação de duas comissões.. sendo uma delas a comissão de sindicância.

Acho muito bom que a comissão de especialistas independentes seja composta pelas pessoas citadas. Tenho certeza que o IBGE receberá bem esta comissão. Alguns dos participantes já são ou foram participantes de comitês técnicos a convite do IBGE. Mas... estamos (pelo menos eu estou) de luto pela criação das comissões da forma que ocorreu.

Participei na semana passada de um workshop sobre qualidade em pesquisas realizado em Washignton (ITSEW2014 - International Total Survey Error Workshop). Neste seminário tive conhecimento sobre um erro cometido pelo Statistics Sweden em 2010*. Devido a isto, o Governo da Suécia definiu que o Statistics Sweden deveria implantar uma revisão de qualidade em suas pesquisas e um relatório deveria ser produzido para ser entregue ao Ministro das Finanças: "The government of Sweden stated in Statistics Sweden’s appropriations directive for 2011 that the agency was required to complete on going work within the area of quality and that significant quality improvements were to be reported to the Ministry of Finance at end of 2011 and every year following. A report was requested in the form of specific indicators that
signify any quality improvements that are occurring in pre-specified, key programs."


Uma comissão mista com membros internos e externos à instituição foi proposta e montada pelo Statistics Sweden. Os dois membros externos são: Paul Biemer , especialista em Survey Methods e Denis Trewin (ex-presidente do Australian Bureau of Statistics ). O trabalho de avaliação ainda está em andamento e sua metodologia e resultados podem ser encontrados em 2 artigos: A System for Managing the Quality of Official Statistics e A Tool for Managing Product Quality.

Relato o caso para colocar os fatos que ocorreram com a ratificação de estimativas produzidas pelo IBGE num contexto comparativo com o dia-a-dia dos vários Institutos Nacionais de Estatística do mundo. O erro aconteceu, na Suécia e no Brasil, os processos de trabalho precisam ser revisados mas a forma de fazê-lo é na busca da qualidade.

No caso do Brasil, não acho corretas as ações que o MPOG está tomando, e da forma que está fazendo, em relação ao IBGE. Entendo que um momento difícil como este sempre alavanca discussões importantes que podem trazer melhorias para a produção das Estatísticas Públicas. Entretanto, muita água ainda vai rolar... as palavras e ações tem peso e, sempre, consequências.

Não escrevo em nome do IBGE mas não há como separar meu julgamento da minha história profissional. Não gostaria que esta mensagem fosse vista como uma fala corporativista, mas entendo que não tenho como evitar isto.

*http://www.scb.se/en_/Finding-statistics/Statistics-by-subject-area/National-Accounts/National-Accounts/National-Accounts-quarterly-and-annual-estimates/Aktuell-Pong/22918/Behallare-for-Press/Correction-Net-lendingborrowing-for-local-government-2009-non-financial-sector-accounts/


Ano VIII Outubro de 2014



Ranking Universitário Folha 2014
Clóvis Pereira – UFPR



Recentemente a Folha de São Paulo divulgou o Ranking Universitário Folha – RUF 2014. Uma listagem das Universidades brasileiras de melhor desempenho, de acordo com os indicadores avaliados que são: Ensino; Pesquisa; Inserção no Mercado de Trabalho; Inovação; Internacionalização.

O RUF 2014 conta com uma listagem de 192 Universidades. Segundo seus responsáveis, o ranking procura medir a qualidade das Universidades brasileiras, em suas diferentes missões (ensino, pesquisa e extensão. Cf. Art. 207 da Constituição Brasileira) a partir de metodologias utilizadas em rankings internacionais, mas com adaptações para o contexto brasileiro.

Leia mais


Ano VIII  Setembro 2014



Controle Social da Academia
Luis Vieira


Um dos mantras preferidos pela esquerda, o controle social das atividades do Estado, tem sido propagado ad nauseam pelos seus inúmeros partidos na propaganda eleitoral. O decreto presidencial 8.243, Política Nacional de Participação Social, cuja implantação está, por ora, suspensa pela legislação eleitoral, aprofunda a metamorfose do Estado brasileiro em um Estado de sovietes. Desfaçadamente, o governo central gera a própria crise que justifica a mudança, a corrupção e a ineficiência desses últimos 12 anos são debitados ao Estado democrático de direito, constituído a partir da Constituição de 1988 (a qual boa parte da esquerda não subscreveu).

Nas universidades federais, regidas a colegiados, a materialização do propalado controle social é a constituição de sindicatos e associações estudantis classistas (leia-se revolucionárias) cuja atuação ultrapassa o domínio das reivindicações trabalhistas para se instalar no centro das deliberações da instituição universitária. Como se isso fosse pouco, as entidades reivindicam também o direito de indicar os representantes nos colegiados, retirando da administração da instituição de ensino superior, responsável perante a lei e a sociedade, a prerrogativa de organizar o processo de escolha dos representantes. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro a constituição de seu colegiado maior – Conselho Universitário – prevê que a indicação dos representantes discentes é prerrogativa das entidades estudantis mas não havia nada tão explícito quanto às congregações de unidade e foi exatamente numa delas – Escola de Educação Física e Desportos que se instalou uma polêmica sobre quem deveria organizar as eleições – a administração da IES ou o Centro Acadêmico. Por considerar que não feria o Estatuto da Universidade, o diretor da EEFD manteve o procedimento institucional e foi por isso acusado de autoritarismo, para dizer o mínimo. A controvérsia só foi resolvida, no âmbito da UFRJ, em maio de 2014, a favor das classes oprimidas, é claro, através da resolução no 5* (que não contempla colegiados de departamentos), demonstrando, no entanto, que o professor da EEFD não tinha violado nenhuma norma dessa universidade, senão ela não teria se feito necessária.

Dificuldades dessa natureza somadas aos problemas crônicos da administração federal desencorajam vocações para a gestão universitária, a menos que as motivações sejam de natureza política.



*Resolução No 5/2014 do CONSUNI da UFRJ

Art. 1º Reafirmar a prerrogativa das entidades representativas dos estudantes na organização do processo de escolha dos representantes discentes nos colegiados superiores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, bem como nas Congregações das Unidades Acadêmicas e colegiados equivalentes dos Órgãos Suplementares.


Comentários recebidos:


 Indicação de representantes discentes

 Uma coisa é definir quem convoca e comanda as eleições dos representantes no Consuni ou nas Congregações. Outra coisa, muito diferente, é definir quem comanda o processo de indicação. As entidades estudantis não querem comandar esse processo, substituindo a instituição federal. Elas não querem elas mesmas fazerem as eleições. Elas simplesmente não querem essas eleições com voto direto dos discentes elegendo os representantes discentes. Parece parecido. Mas é muito diferente. De um lado, um processo eleitoral. De outro lado, um processo de indicação de representantes sem eleição desses representantes pelos que serão representados. Se a UFRJ quer conceder assentos, em seus Colegiados, para as entidades do movimento estudantil, tudo bem, maravilha. Só não pode é com isso zerar a indicação de representantes discentes com eleições similares às que convoca para os representantes docentes.

L.E.R.Carvalho


Ano VIII  setembro 2014

                           
                                                                                                                                  

O atalho que não leva a lugar algum
Luis Vieira



O contexto que envolve a publicação de periódicos pouco confiáveis reflete a crise mundial da atividade científica em universidades e entidades de pesquisa. Pesquisar é caro e não necessariamente traz retornos imediatos ou mesmo dignos de nota. A crise econômica global provocou graves cortes de verbas em todo o mundo. Em 2013 estive na Espanha e pude verificar a difícil situação dos pesquisadores espanhóis, muitos abandonando o país, ou a profissão. Nesse quadro fica mais difícil manter uma atividade científica de qualidade e divulgá-la nos periódicos consagrados o que equivale a não ter feito nada. A revolta contra o império das publicações, concentrado em poucas editoras internacionais, provocou manifestações individuais (Higgs, Schekman) e coletivas (DORA).

Infelizmente, ao invés de buscar soluções íntegras, maus empreendedores distorceram a iniciativa do periódicos "open access" que visava facilitar o acesso a publicações científicas e a transformaram numa indústria de "papers" de segunda categoria, tipo - pagou, publicou.

O OBSUNI/Prof. Vinicius Arcaro rastrearam no Brasil a amplitude dessa má iniciativa, já denunciada amplamente no exterior, (veja o experimento da revista Science), muitos periódicos pouco confiáveis estão certificados pelo banco Qualis da CAPES e as IES brasileiras estão aceitando essas publicações como evidência de produção científica.

Se a fórmula tem ajudado as carreiras daqueles que praticam esse atalho, certamente não é o caso da posição brasileira no ranking de importância da ciência mundial. Trabalho recente baseado no Web of Science, premiações internacionais e impacto na pesquisa só identificou cinco pesquisadores radicados no Brasil como sendo dignos de nota na ciência mundial. A recente indicação de um brasileiro para a medalha Fields constitui mais uma exceção do que a regra.


Ano VIII Agosto 2014


                                                                                                                                                                                                                
Os Cientistas mais Influentes no Mundo Atual e o Contexto Brasileiro*
Clóvis Pereira – UFPR



O objetivo deste texto é repercutir no contexto acadêmico brasileiro e no âmbito dos governos estaduais e federal o documento elaborado e divulgado recentemente por Thomson Reuters, intitulado World’s Most Influential Scientific Minds 2014.

O documento, com 108 páginas, contém uma análise dos mais importantes e influentes cientistas da Terra que trabalham em diversas áreas do conhecimento. Em busca de resposta para a pergunta:
Who are some of the best and brightest scientific minds of our time?

Os peritos da Thomson Reuters analisaram dados disponíveis existentes na Web Science e em plataformas de incentivo para determinar os pesquisadores que têm produzido trabalhos de relevância em pesquisa científica, em diversas áreas do conhecimento, que são mais frequentemente reconhecidos por seus pares em diferentes países do mundo. Para o trabalho acima citado foram consultados diretórios de pesquisa altamente citados.

Na introdução do documento em pauta encontramos a seguinte afirmação: These researchers are, undoubtedly, among the most influential scientific minds of our time.

Leia mais


Ano VIII Agosto de 2014



A Era do Conhecimento Globalizado 
Clóvis Pereira – UFPR



O objetivo deste texto é alertar a administração central, a comunidade acadêmica e a sociedade do Estado do Paraná para a necessidade de criar e executar projetos estruturais que visem, em longo prazo, reformular o Sistema Público de Ensino Superior do Estado.

Lembramos que quando há erros na estrutura da educação escolar superior de um Estado ou de um País, os administradores que têm o poder de agir na tomada de decisões também têm a responsabilidade de agir para consertar o que está errado nessa estrutura.

Na era do conhecimento no mundo globalizado atual o bem mais precioso de um Estado, ou de um País, é o seu capital humano detentor de boa educação escolar em níveis fundamental e médio e em nível superior. Sabemos que investimentos em educação escolar de excelente qualidade, em ciência e em tecnologia em harmonia com um bom projeto de desenvolvimento estadual, representam a melhor estratégia para um bom administrador e sua equipe de assessores.

Neste contexto é imprescindível a importância da boa educação escolar superior (graduação e pós-graduação stricto sensu) ofertada por um Estado, ou por um País a seus filhos. O estágio da boa educação escolar superior só poderá ser atingido por intermédio da boa qualidade de suas Universidades. Emerge daí a necessidade de constante vigilância por parte da administração central do Estado sobre o Sistema Público de Ensino Superior do Paraná, que é formado por sete Universidades Estaduais.


Leia mais


Ano VIII  julho 2014



Submundo acadêmico*
Luis Vieira



Introdução

Em matéria anterior, "Qualis sob suspeita", alertamos sobre a propagação de periódicos questionáveis no sistema acadêmico brasileiro, sob a chancela da CAPES através da inclusão desses periódicos no Qualis. No Brasil, assim como no exterior, a publicação de artigos científicos tornou-se a medida preponderante para o acesso e progressão nas universidades.

Com a imitação do modelo Americano "Publish or Perish", a competição para publicar artigos foi acirrada no mundo todo. Pressionados por suas instituições, alguns pesquisadores escolhem o caminho mais curto e condenável. Esse caminho consiste em escolher periódicos cujo tempo para publicação seja relativamente curto. A maneira que esses periódicos utilizam para oferecer uma redução do tempo para publicação é através da simplificação do processo de revisão pelos pares (peer-review-process). Por esse motivo, utiliza-se o eufemismo questionável para tais periódicos. Em muitos deles, a revisão pelos pares simplesmente não existe, conforme demonstrado em 2013 por John Bohannon.


Leia mais


Ano VIII, julho 2014


                                                                                 
Qualis sob suspeita*
Luis Vieira
                                                                                                               


Introdução

No final da década de oitenta apareceram os primeiros periódicos on-line no sistema Open Access. Diante do alto custo das assinaturas dos periódicos impressos, a novidade foi muito bem recebida e difundiu-se rapidamente em todo o mundo. No Directory of Open Access Journal (DOAJ) há mais de 9000 periódicos cadastrados. No Brasil a iniciativa conjunta da FAPESP com o CNPq deu origem à Scientific Eletronic Library on Line (SCIELO) que abrange mais de 300 periódicos com acesso livre.

Na maioria das vezes, o sistema Open Access é visto com reserva pela comunidade científica tradicional e pelas grandes editoras. O principal motivo é a cobrança de taxa para publicação, disfarçada em taxa de processamento do manuscrito, em geral variando de $ 200 USD até $ 1000 USD. O conflito de interesses sempre vai suscitar dúvidas quanto à qualidade dos artigos publicados. Fator de contratação de novos professores ou pesquisadores e também promoção na carreira acadêmica, a publicação de artigos passou a ser alvo de práticas questionáveis. Existem muitos periódicos, com credibilidade conquistada durante décadas, que estão disponíveis para publicar e que nunca cobraram taxa do autor.


Leia mais


Ano VIII  Julho de 2014
                                                                                                          


Desde Leiden
Luis Vieira



O Centro de Estudos de Ciência e Tecnologia (CWTS) da Universidade de Leiden, Holanda, divulgou uma avaliação sobre a pesquisa no Brasil no período 2003-2012. Os dados são baseados no Web of Science produzido pela Thomson Reuters. Como diferencial em relação a outras avaliações, o estudo do CWTS oferece a opção de se considerar indicadores que independam do tamanho da instituição e que contabilizem fracionadamente a participação de cada instituição em trabalhos comuns. Há ainda opções para avaliar cooperação internacional e intranacional, assim como trabalhos desenvolvidos em parceria com empresas. 


Leia mais


Ano VIII Junho de 2014



Compartilhe