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Textos em destaque:


Ranking Universitário 2015 de Países de Economias Emergentes e de Países do BRICS

Clovis Pereira – UFPR



A empresa britânica Thomson Reuters divulgou o documento anual Times Higher Education BRICS & Emerging Economies Rankings 2015, que relaciona as 100 melhores Universidades dos países classificados por FTSE The Index Company, como Economias Emergentes, incluindo os países que formam o BRICS. FTSE é um
índice que mede vários mercados e classes de ativos em mais de 80 países.

Neste particular, lembramos que em janeiro de 2015 o Brasil foi classificado pela empresa Marsh e pela consultoria Business Monitor, como “pais emergente fraco”. Em fevereiro de 2015 a consultoria e agência britânica de classificação de risco Economist Intelligence Unit retirou o grau de investimento que havia concedido ao Brasil em janeiro de 2012.

Os Rankings universitários globais existentes são produzidos anualmente por empresas especializadas com o objetivo de fornecer informações sobre as Universidades avaliadas sob o ponto de vista regional e global. Esses Rankings podem ajudar o(a) jovem em idade universitária, a comparar com precisão as Universidades de seu país e do mundo, no momento de fazer sua escolha para realizar estudos. Eles também orientam os gestores dos países avaliados, quando da tomada de decisões sobre políticas públicas para melhorias em seus sistemas de C & T e Ensino universitário. Não sabemos se essa prática é usual para os gestores do sistema universitário brasileiro.

A Thomson Reuters empresa muito prestigiada nesse ramo de trabalho, empregou no documento em questão 13 indicadores de desempenhos. As informações para a elaboração do documento em pauta foram fornecidas por estudantes, professores, líderes universitários, indústrias e governos dos países pesquisados.

Os indicadores de desempenhos utilizados são agrupados nas cinco áreas seguintes.

Ensino: o ambiente de aprendizagem, reputação, professores doutores, taxa de professores por número de alunos (no valor de 30%).

Pesquisa: volume, receita e reputação (no valor de 30%);

Citações: influência na pesquisa (no valor de 20%);

Renda Indústria: inovação (no valor de 10%);

Perspectiva internacional: pessoal, estudantes estrangeiros e pesquisa (no valor 10%).

Para o Brasil, país que possui dezenas de Universidades públicas e privadas, há o fato vergonhoso de que apenas uma Universidade Federal e três Universidades Estaduais são classificadas neste Ranking das 100 melhores Universidades dos países incluídos na pesquisa. Aliás, são as mesmas instituições classificadas no mesmo Ranking na versão de 2014.

No texto A ciência na América do Sul na Nature, que aborda matéria publicada no número especial da revista Nature, v. 510, nº 7504, de 11 de junho de 2014, o autor escreveu o seguinte a respeito do estado da pesquisa científica nos países da América Latina, na qual estão vários países de economias emergentes, incluído o Brasil.

O editorial do número especial da Nature de 11 de junho traça uma perspectiva sobre o desenvolvimento científico da América Latina e ilustra com mapa a distribuição da pesquisa da região sobre um fundo escuro com a legenda: Como o céu da noite, o alcance da ciência na América do Sul é bastante escuro (...). Uma análise bastante detalhada da ciência produzida na região, qualitativa e quantitativamente, é relatada nos cinco artigos do número especial, e em meio à escuridão, pontos de luz emergem. A distribuição da produção científica ainda é muito desigual, e os desafios para formar pesquisadores e infraestrutura de pesquisa persistem em meio à instabilidade política em muitos países...

Temos, nos documentos acima citados, a revelação da má qualidade do sistema universitário brasileiro, condição que estamos denunciando há vários anos. Não estamos surpresos, com este fato. Nossa não surpresa pelo péssimo desempenho mundial do sistema universitário brasileiro decorre do descaso e da incompetência administrativa dos gestores do sistema universitário. Gestores que criam Universidades de modo desordenado, sem infraestrutura, sem qualidade, sem docentes qualificados. Segundo a lógica desses gestores o importante é a quantidade, não a qualidade. Agem em sentido contrário do que está sendo feito nos países desenvolvidos.

Há algum tempo que nos países desenvolvidos o tema que mais tem preocupado os governos e as lideranças universitárias desses países é o da diferenciação da qualidade acadêmica. Nesses países, existe uma consciência crescente de que não adianta expandir o ensino superior indefinidamente, a um custo crescente para o setor público e para os estudantes e suas famílias, sem que isto se traduza em benefícios sociais efetivos. Isto é, boa qualidade.

No Brasil, os responsáveis pela gestão do ensino universitário não têm se preocupado também com a globalização, e com a capacidade de continuarmos ou não participando e nos beneficiando ou não de um mundo cada vez mais competitivo, no qual o conhecimento desempenha um papel cada vez mais importante.

Ao observarmos os indicadores de desempenhos utilizados pela Thomson Reuters para produzir o documento em pauta, visualizamos o fato óbvio de que não será a quantidade de Universidades públicas e privadas existentes no Brasil, mas a boa qualidade dessas instituições, ou de algumas delas, que colocará o país no topo dos Rankings mundiais de avaliações de Universidades. Os gestores do sistema brasileiro de ensino superior continuam não entendendo esta realidade. Será que seus neurônios são insuficientes para tal tarefa?

O sistema brasileiro de ensino superior precisa ser reestruturado por meio de uma sábia reforma. A reestruturação deverá ser realizada de modo inteligente que o retire da mesmice acadêmica para que, em médio prazo, as Universidades brasileiras deixem de graduar imbecis e passem a graduar e titular recursos humanos que sejam capazes de formular novas teorias, ou novos conhecimentos em ciência, dos quais possamos esperar no futuro próximo contribuições para a solução de problemas que assolam a sociedade brasileira.

Na tabela a seguir listamos as 10 melhores Universidades classificadas no Ranking acima citado.

Tabela 1. As 10 melhores Universidades, em 2015, do Ranking da Thomson Reuters de países do BRICS e de países de Economias Emergentes não pertencentes ao BRICS.

Colocação

Instituição

Pais

Pontuação



Peking University

China

67,7



Tsinghua University

China

67,2



Middle East Technical University

Turquia

52,5



University of Cape Town

África do Sul

52,4



Lomosov Moscow State University

Rússia

50,0



National Taiwan University

Taiwan

48,5



Bogaziçi University

Turquia

46,3



Istanbul Technical University

Turquia

44,9



Fudan University

China

44,8

10º

University of São Paulo

Brasil

44,0



Em relação ao ano anterior, os países Rússia e Turquia fizeram progressos nesta segunda edição do Ranking de classificação para as economias emergentes.

Ao direcionarmos nossos olhos e mente para informações do Ranking sobre o Brasil, obtemos o seguinte quadro.

Na 10º posição, com o total de 44,0 pontos, está classificada a Universidade de São Paulo – USP, que subiu uma posição em comparação ao ano anterior. Ficando assim entre as dez melhores Universidades avaliadas. Um avanço.

Na 27º posição, com o total de 36,8 pontos é citada a Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, que perdeu três posições em comparação ao ano anterior.

Na 61º posição, com 28,1 pontos, o documento classifica a Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, a única Universidade Federal citada e, que baixou uma posição em relação ao ano anterior.

Na 97º posição o Ranking classifica a Universidade Estadual Paulista - UNESP, com 22,7 pontos, instituição que caiu dez posições em relação ao ano anterior.

Dessa forma, em relação ao Brasil o quadro apresentou piora; exceto a USP que avançou uma posição, em relação ao ano anterior, na classificação do Ranking em pauta. As outras três Universidades caíram em comparação ao ano anterior.

Com respeito ao Paraná, percebemos mais uma vez, a exemplo de 2014, que nenhuma das Universidades públicas e privadas sediadas no rico e próspero Estado do Paraná foi classificada neste Ranking na versão 2015.

Propomos que os gestores do sistema universitário paranaense atenham-se às cinco áreas de indicadores de desempenhos acima citadas; que trabalhem arduamente nelas para que sejam priorizadas no Paraná. Estas são áreas que são utilizadas mundialmente e, que servem de parâmetros para as classificações mundiais de Universidades.

Recomendamos também que os gestores do Estado do Paraná responsáveis pelo ensino universitário, trabalhem com o propósito para que seja reduzido o número atual de Universidades estaduais. Sabemos tratar-se de assunto polêmico, mas que deve ser discutido para o bem do sistema estadual de ensino superior. Esta recomendação decorre de vários fatores, dentre os quais citamos: o fraco desempenho de várias instituições quando das avaliações oficiais realizadas periodicamente; a desorganização macroeconômica do país, fruto da administração federal, que afetou, para baixo, a arrecadação tributária do Paraná.

O fato financeiro tem repercutido negativamente nas administrações das Universidades estaduais de melhores desempenhos, que estão sem condições financeiras para prosseguir com o desenvolvimento de seus projetos de pesquisa, nem condições para comprar insumos para uso de alunos dos cursos de graduação, inclusive água potável e energia elétrica.

Propomos que os gestores do sistema universitário paranaense trabalhem arduamente com o propósito de que uma ou duas das Universidades estaduais sejam transformadas em instituições de nível mundial. Devemos trabalhar na construção de reformas que mudem o rumo da mesmice existente no sistema universitário paranaense e, que propiciem a excelência na qualidade da ciência e na pesquisa científica. Sem esses requisitos jamais sairemos do nonsense.

Esta é uma condição a ser alcançada em longo prazo e, não necessita para seu início, de novos recursos financeiros. Para que o processo possa produzir resultados nos próximos 20 anos precisa ser iniciado em 2015. As Universidades estaduais a serem trabalhadas para o propósito acima citado poderão ser escolhidas dentre as de melhores desempenhos, segundo avaliações trienais da CAPES. Desnecessário dizer as diversas vantagens para o Paraná, advindas dessas escolhas.

Devemos ser coerentes com a construção de nossa modernidade. Como efeito da causa que resultou em uma mistura de: omissão, negligência, imperícia, descaso de administrações estaduais passadas que não construíram um excelente sistema estadual de ensino superior, atualmente o Paraná possui um sistema universitário de má qualidade e inexpressivo mundialmente. Em texto intitulado Ciência: Propostas para o Avanço, publicado in OBSUNI, de 26/10/2014, apresentamos aos gestores estaduais algumas propostas para o início do processo de melhoria da qualidade do sistema universitário paranaense. Constitui insanidade, por parte dos responsáveis, não criar projetos estruturantes que iniciem o processo de melhoria da qualidade do sistema universitário paranaense.

Recomendamos ainda que seja construída, pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior - SETI em conjunto com a FA, TECPAR e IAPAR, uma agenda
estadual de pesquisas na qual possam ser propostas, discutidas e escolhidas novas abordagens que possam ser mais eficazes do que as atuais, em relação à qualidade do empreendimento científico no Paraná.

A comunidade acadêmica paranaense, em conjunto com os gestores do sistema estadual de ensino superior, deve trabalhar no sentido de conjugar esforços para melhorar os processos e produzir trabalhos de alta qualidade. Devemos trabalhar para a criação de um sistema paranaense de ensino superior de excelente qualidade.

Propomos que um dos itens a ser monitorado pela SETI no sistema universitário paranaense seja a qualidade dos doutores titulados anualmente e, não a quantidade. Devemos trabalhar no sentido de premiar a qualidade, não a quantidade. Cabem aqui algumas perguntas.

A – Estão os doutores titulados anualmente por instituições paranaenses sendo bem treinados? Os programas ofertados estão dando ênfase na formação do aluno, ou no número anual de doutores titulados? Por formação do aluno queremos significar as habilidades necessárias para realizar pesquisas e preparar a próxima geração de cientistas paranaenses e brasileiros. Lembramos que são os novos doutores que passarão a formar a próxima geração de doutores e que irão ministrar disciplinas nos cursos de graduação. Lembramos ainda, que constantemente, especialistas alertam os gestores do SNPG para a necessidade de avaliar a influência dos rumos da pós-graduação stricto sensu do Brasil no quadro de estagnação da qualidade da produção científica brasileira, apesar do seu crescimento quantitativo.

B – A SETI possui uma base de dados que informe quantos doutores, em suas diversas especialidades, são titulados anualmente por instituições paranaenses? Que informe também a produção científica, tecnológica, acadêmica, publicações de livros, participação em eventos científicos, palestras realizadas etc. desses doutores?

A administração central do Paraná deve levar em conta e assegurar que a base constituída pelo desenvolvimento da educação escolar e pelo avanço da ciência, forme um sistema integrado. Deve considerar que este sistema seja tratado como investimento imprescindível ao Estado e não como despesa.

Recomendamos que o governo do Paraná, na pessoa de seu governador, faça uma escolha, em conjunto com o titular da SETI, entre as duas opções citadas a seguir, com base na pergunta seguinte: Que tipo de Estado nós estamos construindo para as gerações que virão? Esta é uma questão que se torna definidora para o desenvolvimento e para o futuro de nosso próspero Paraná.

1. Manter a atual falsa democratização para o sistema com um ensino universitário medíocre, fracassado e sem valor para o Estado e para o país, nem para os jovens paranaenses que o procuram. Manter ainda um sistema representativo do fracasso científico-tecnológico das Universidades que formam o sistema paranaense de ensino superior e, assim manter o sistema universitário paranaense na mesmice.

2. Escolher a verdadeira democratização para o sistema universitário paranaense, permitindo, ao mesmo tempo, que o aluno tenha uma excelente formação profissional e uma excelente cultura geral por meio de um ensino superior ambicioso, de inestimável qualidade para que a juventude paranaense seja mais bem educada com base na ciência exponencialmente desenvolvida.

Lembramos que o regime democrático supõe o reconhecimento das diferenças. É preciso escolher e implantar um sistema universitário para o Paraná que cultive a diferença, a diversidade, a competição e o ambiente favorável à competividade na produção científica. Sistema que valorize a pesquisa científica e tecnológica. Estes conceitos permeiam a evolução. Assim fazendo, o Paraná passará a possuir uma comunidade acadêmico-científica vigorosa e sadia que será um elemento a ser levado em conta quando do planejamento estratégico para a modernização do Estado. Essa qualificada força de trabalho geradora de riqueza e prosperidade será integrada ao desenvolvimento do Paraná e do país.
Estas recomendações que fazemos aos gestores do Estado do Paraná poderão ser ampliadas pelo leitor, para todos os Estados do país que tenham Universidades estaduais e, também para os gestores do SNG e do SNPG.

No Ranking em pauta, para citarmos além do Brasil outros países de Economias Emergentes, pertencentes ou não ao BRICS, cujas Universidades foram avaliadas por Thomson Reuters, temos dentre as 100 melhores Universidades, o seguinte quadro:

China com 28 Universidades classificadas;

Taiwan com 19 Universidades classificadas;

Índia com 11 Universidades classificadas;

Turquia com 8 Universidades classificadas;

Rússia com 6 Universidades classificadas;

África do Sul com 5 Universidades classificadas;

Brasil com 4 Universidades classificadas.

Destaca-se para pessoas normais, inteligentes, bem informadas, patriotas e com clara visão estratégica de futuro para nosso país, o fato de que o Brasil necessita, além de mais recursos financeiros para o sistema universitário, de gestores competentes, qualificados, patriotas, e experientes na gestão de ensino e de ciência e tecnologia. Pessoas com espírito público e clara visão estratégica de futuro para identificar e por em prática as reais prioridades do sistema universitário brasileiro. O país necessita de administradores tomadores de decisões que criem políticas públicas sérias e estruturantes para seu sistema de C & T e Ensino Superior.

É verdadeira a afirmação de que, com o modelo atual de sistema universitário, mesmo para os Rankings exclusivos de países do BRICS e países de Economias Emergentes não pertencentes ao BRICS, continuaremos ad infinitum na rabeira do contexto mundial em qualidade de ensino, pesquisa científica e produção científica de impacto mundial com alto índice de citações.

Sabemos que a criação e produção do conhecimento científico, só acontecem por meio de um bom e bem gerenciado sistema universitário. Esse processo é um dos pilares na geração de riqueza, renda e na melhoria da qualidade de vida da sociedade de um país.

A geração e produção do conhecimento estão comprometidas nas Universidades brasileiras, fato comprovado pelo péssimo desempenho mundial de nosso sistema de ensino superior. Para a constatação dessa realidade recomendamos a leitura do documento produzido por Thomson Reuters e intitulado THE World’s Most Influential Scientific Minds 2014. Neste documento, que abrange várias áreas da ciência, são citados apenas quatro cientistas que trabalham em instituições brasileiras (1 na USP, 1 no HCor-SP, 1 no CIFOR, 1 na UFV). Mas nenhum deles está classificado, segundo o documento, como scientists with multiple hot papers.

É insano pensar e continuar agindo, como tem ocorrido ao longo dos últimos 12 anos com os gestores da administração federal, inclusive gestores do sistema universitário brasileiro, no sentido de que a Universidade é uma instituição de massa. Ela não é nem jamais será. Esta postura errada assumida por irresponsáveis gestores do sistema universitário brasileiro tem contribuído para aprofundar o atual estágio de mediocridade que se encontra o Brasil no Ranking universitário mundial.

Citaremos a seguir um exemplo edificante de esforços para melhorar o sistema universitário de um país. Este exemplo que partiu de um renomado cientista preocupado com o fraco desempenho do sistema universitário de seu país, poderá nos servir de inspiração para propormos a criação de políticas estruturantes para o sistema universitário brasileiro.

Nos anos de 1980 o prestigiado matemático francês Dr. Laurent Schwartz (cf. TREVES; PISIER; YOR, 2003), mostrou, por meio de seus textos; de uma carta aberta ao Ministro da Educação da França Alain Savary, que foi publicada no jornal Le Matin, de 24 de maio de 1983; e por sua participação como Presidente da Associação Qualité de la Science Française, sua preocupação e insatisfação com a organização e o desempenho da pesquisa científica e tecnológica e do sistema universitário francês em relação aos países desenvolvidos. Aliás, foram preocupações também da sociedade e da comunidade acadêmica francesa.

Em 1981 o Dr. L. Schwartz fora convidado pelo Primeiro Ministro francês Pierre Mauroy para participar de uma Comissão que foi criada para avaliar a situação da Universidade francesa e, redigir o volume 4 do documento intitulado France en mai 1981. L'éducation et le développement scientifique
. Ele colaborou na preparação e redação desse documento, após discutir o assunto com diversos cientistas franceses.

Posteriormente, o Dr. L. Schwartz escreveu um livro intitulado Pour sauver l’Université (cf. SCHWARTZ, 1983). Neste livro, ao fazer críticas ao governo francês, que era socialista, e propor soluções para a reorganização do ensino superior e da pesquisa científica e tecnológica na França, em conformidade com o que fora recomendado no documento acima citado, o Dr. Laurent Schwartz disse o seguinte que citaremos a baixo.

Lembramos que nesta época o Sr. François Miterrand era o Presidente da França, o Primeiro Ministro era o Sr. Pierre Mauroy, e o Ministro da Educação era o Sr. Alain Savary. Mesmo nesse ambiente de diferenças intelectuais, culturais e de sistemas universitários entre França e Brasil, as palavras do Dr. L. Schwartz servem de alerta e orientação aos atuais administradores de nosso país, que malograram também na gestão de nosso sistema universitário. Tradução livre de (SCHWARTZ, 1983).

Dirijo-me incialmente à esquerda, pois sou de esquerda e ela está no poder. Mas é óbvio que ficar apenas nesse ponto seria uma atitude diminuta de racismo político. A Universidade diz respeito a toda à França, e dirijo-me a todos os cidadãos para que eles colaborem (...). O governo de esquerda está prestes a malograr no plano universitário, e a responsabilidade é toda sua. Minha preocupação não é de acusá-la, mas ajudá-la a corrigir-se o mais depressa possível. Não há exemplo de país desenvolvido que possua uma Universidade subdesenvolvida. A degradação da Universidade nos leva a perder nossa identidade nacional e nossa cultura, uma das mais belas do mundo, enfraquecendo nossa tecnologia e baixando nosso nível de vida. Lanço, portanto, um grito de alerta para que haja uma transformação da Universidade (...). Não é tarde demais para agir, mas é preciso ter compreendido o problema e querer resolvê-lo...

Com a participação da comunidade acadêmica e da sociedade daquele país, foram feitas as reformas pretendidas no sistema universitário da França. Nos dias atuais, as pessoas bem informadas sabem da qualidade da contribuição dada ao contexto mundial pelo sistema universitário francês.

Lembramos aos gestores do Brasil que o fato de relaxarem suas responsabilidades inerentes aos cargos ocupados, produzindo como efeito a não construção e não implantação de projetos estruturantes para a reforma do SNG e do SNPG, como anseiam a comunidade acadêmica e a sociedade brasileira, caracteriza uma mistura de inépcia, omissão, incompetência administrativa, imperícia, negligência e descaso na construção de um sólido, bom e confiável sistema de ensino superior para o Brasil.

Recomendamos que a comunidade acadêmica e a parte bem informada da sociedade brasileira reajam fortemente ao estado de lassidão que existe nos gestores de nosso sistema universitário. Lembramos palavras de Albert Einstein que disse: ”A força de vontade é uma força mais poderosa que a força motriz gerada pelo vapor, pela eletricidade ou pela energia atômica”. Acrescentamos o seguinte: Se soubermos para onde olhar, então poderemos ver o futuro.

Os gestores dos bens públicos passam, mas suas ações permanecem em benefício ou em malefício para a sociedade brasileira que trabalha, produz riquezas, gera empregos, faz pesquisa científica, paga impostos e vota.



Referências

A ciência na América do Sul na Nature. SciELO em Perspectiva. [viewed 07 February 2015]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2014/07/04/a-ciencia-na-america-do-sul-na-nature/

É hora de rever o sistema de pós-graduação brasileiro. SciELO em Perspectiva. [viewed 07 February 2015]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2015/01/26/e-hora-de-rever-o-sistema-de-pos-graduacao-brasileiro/

FINARDI, Ugo. Scientific collaboration between BRICS countries. Scientometrics, v. 102, nº 2, p. 1139-1166, 2015.

SCHWARTZ, Laurent. Pour sauver l’Université. Paris: Editions du Seuil, 1983.

Times Higher Education - BRICS & Emerging Economies Rankings 2015. [viewed 20 January 2015]. Available from: http://www.timeshighereducation.co.uk/world-university-rankings/2015/brics-and-emerging-economies

TREVES, François; PISIER, Gilles; YOR, Marc. Laurent Schwartz (1915-2002). Notices Amer. Math. Soc., v. 50, nº 9, p. 1072-1084, 2003.


Ano IX  Fevereiro de  2015


Passando na Globo News
Obsmulti



“O MPL deve ter como perspectiva a mobilização dos jovens e trabalhadores pela expropriação do transporte coletivo, retirando-o da iniciativa privada, sem indenização, colocando-o sob o controle dos trabalhadores e da população. Assim, deve-se construir o MPL com reivindicações que ultrapassem os limites do capitalismo, vindo a se somar a movimentos revolucionários que contestam a ordem vigente. Portanto, deve-se participar de espaços que possibilitem a articulação com outros movimentos, sempre analisando o que é possível fazer de acordo com a conjuntura local.” Carta de Princípios do MPL

O programa “Encontros com MC” brindou-nos essa semana com uma entrevista dada pela socióloga SN que acompanhou de perto o Movimento Passe Livre. Embora a intenção principal do programa fosse a análise dos Reality Shows, a maior parte da conversa ficou centrada na questão das manifestações de junho de 2013 e a sua retomada recente pelo MPL. A primeira questão colocada pelo entrevistador foi exatamente sobre a menor repercussão das manifestações, ao que a entrevistada justificou como sendo principalmente efeito da ação policial, voltada agora, segundo ela, para machucar individualmente os manifestantes. Mesmo a dispersão não seria uma prioridade, a ênfase é assustar as pessoas para que não voltem às ruas. Por outro lado, a classe trabalhadora, no capitalismo atual, está pouco organizada.

Insistindo na comparação, MC citou o problema da água em São Paulo com sendo um motivo a mais para se reivindicar. A socióloga disse que sua única certeza sobre a questão da água é a presença da polícia na rua para reprimir protestos. Por esse motivo é necessário insistir na questão da organização da classe trabalhadora o que o MPL está iniciando a partir dos bairros, descentralizando e envolvendo os moradores no movimento. Por outro lado, o MPL ficou focado na questão dos transportes e não embarcou em uma pauta ampla como aquela que brotou nas ruas em junho de 2013.

MC aventou a hipótese do esvaziamento relativo das manifestações (ainda assim são expressivas) à violência dos Black Blocks, ao que a pesquisadora rechaçou pois em junho de 2013 houve ações dos Black Blocks com barricadas e fogos sem que isso afastasse os demais manifestantes. Para ela o que inibe a participação é a ação da polícia e a falta de organização dos trabalhadores.

Insistindo na comparação entre os dois períodos (junho de 2013 e agora) o apresentador indagou sobre o nível de violência. Segundo a professora SN, a polícia está mais organizada e consegue controlar melhor as manifestações, porém se a questão da água se agravar, poderá haver um envolvimento maior dos trabalhadores. Segundo ela, o transporte e a água são direitos, mas no sistema capitalista são tratados como mercadorias, sujeitas aos interesses imediatistas do capital. O governo, por seu lado, representa esses interesses e exerce o controle nos momentos de crise.



Ano IX Fevereiro de 2015


NOTA DE MÍDIA

1.500 BOLSAS DE ESTUDO NO BRASIL PODEM SER SUSPENSAS



Cerca de 1500 Bolsistas de 32 universidades brasileiras, de 16 estados, estão ameaçados de ter os seus pagamentos suspensos já nos próximos meses. São bolsistas de graduação e de pós-graduação dos Programas de Recursos Humanos da ANP/MCTI da área de petróleo, gás e biocombusíveis que foram criados em 1999 e além de terem recebido inúmeras premiações, têm mais de 80% de empregabilidade. Esta interrupção causará a paralização de importantes pesquisas para o país  Muitos destes alunos vivem com o dinheiro de suas bolsas e, deste modo, esta interrupção causará um problema social imediato. Isto está ocorrendo porque não há, até o momento, qualquer previsão orçamentária do governo para estes Programas sustentarem os bolsistas atuais que desenvolvem pesquisas de ponta tecnológica nesta área estratégica para o país.

NOTA PARA OS ALUNOS



As bolsas dos Programas de Recursos Humanos da ANP/MCTI (PRH/ANP/MCTI) podem ser interrompidas já nos próximos meses deste ano. Os PRHs estão atualmente sem repasse de financiamento do governo, o que poderá causar a paralização imediata do pagamento dos atuais bolsistas de todo o Brasil, que afeta 32 universidades brasileiras e institutos de pesquisa de 16 Estados. A mobilização de vocês é vital para todos nós pressionarmos os canais competentes e pleitearmos a continuidade das bolsas e dos PRHs.



Ano IX Janeiro  2015



O Fio da Navalha
*
Luis Vieira



Um espectro assombra os docentes que perseguem o perfil de cientista - a contínua produção científica atestada em mais e cada vez mais publicações científicas - assegurando bolsas, pró-labores, fama e reverência. Não é fácil, exige muito empenho e nem sempre escrúpulos. A atividade de pesquisa custa caro, consome equipamentos, livros, insumos, passagens, diárias, etc., custeados pelo dinheiro do contribuinte, eufemisticamente chamado de dinheiro público. Assim, em tempos de cortes no orçamento da educação, qualquer cidadão, com dados e argumentos tem o direito de questionar o que está sendo feito pela universidade nas suas atividades fim, dentre elas, a pesquisa científica. A pergunta mais elementar que se pode fazer - Está a universidade brasileira produzindo ciência de qualidade? Como atestar isso?

*nome do livro de W.S.Maugham

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Ano IX Janeiro 2015


Retrospectiva 2014
OBSUNI



O oitavo ano de existência do Projeto OBSUNI foi marcado por eventos significativos que sinalizam uma mudança de qualidade do projeto.

Em fevereiro, participamos da Maratona de Negócios da Campus Party e ficamos em primeiro lugar na categoria Jornalismo e Comunicação.

Embora, o foco do Projeto seja a educação superior no Brasil, o tema direitos humanos, pela sua abrangência e envolvimento, foi contemplado diversas vezes no clipping e em vídeos. Do nosso ponto de vista, esses direitos também devem ser respeitados para o cidadão de bem, que se manifesta contra os abusos dos governantes, incluindo-se aí, os estudantes que, em diversos países vão às ruas protestar contra regimes autoritários. Em particular, o registro em vídeo da fala da deputada venezuelana Corina Machado,em comissão do Senado brasileiro, no canal OBSUNI no You Tube, alcançou mais de 195.000 visualizações.

O fundamento do projeto é a produção de textos reflexivos sobre a educação superior no Brasil. Somente em 2014, foram produzidos cerca de 20 textos que podem ser lidos na página principal do projeto ou na página de postagens. Dentre eles, Ciência: Propostas Para o Avanço , recebeu destaque do Senador Álvaro Dias, cujo gabinete em correspondência ao autor, escreveu: "... Pela importância do tema e profundidade de sua análise, o senador determinou que o texto "Ciência: Propostas para o Avanço" seja inserido na Pauta de Estudos do Grupo de Trabalho de nosso Gabinete, para melhor conhecimento e análise." A questão da qualidade da produção científica também recebeu destaque, foram publicados diversos textos, dentre eles: Qualis sob suspeita e Submundo Acadêmico que despertaram o interesse da revista Veja, que publicou sua própria matéria sobre o tema, colocando-o na pauta de discussão sobre a ciência produzida no Brasil.

Ao final do ano, o diretor do Projeto inaugurou o escritório do OBSUNI no Rio de Janeiro e também foi agraciado com o Prêmio Cultura do Distrito LC-1 do Lions Club.

O próximo ano traz desafios enormes para a educação superior que não fica imune à grave crise institucional, econômica, financeira e social pela qual passa o Brasil.

O Observatório da Universidade deseja a seus contatos e parceiros um Feliz Natal e muitas alegrias em 2015.


Ano VIII Dezembro 2014



Ranking Universitário 2014 de Países do BRICS e de Países de Economias Emergentes Não Pertencentes ao BRICS

Clovis Pereira – UFPR



A empresa britânica Thomson Reuters divulgou seu trabalho Times Higher Education BRICS & Emerging Economies Rankings 2014, que relaciona as 100 melhores Universidades dos países que formam o BRICS e de países não pertencentes ao BRICS, classificados como Economias Emergentes pelo índice FTSE The Index Company.

FTSE  é um índice que mede vários mercados e classes de ativos em mais de 80 países, incluindo os países que formam o BRICS (um acrônimo que se refere aos países membros fundadores que juntos formam um grupo político de cooperação). O BRICS é formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Na base do Ranking Times Higher Education BRICS e Economias Emergentes, versão 2014, há um exercício sofisticado de coleta de informações e análise para detalhar os critérios utilizados que avaliam as melhores Universidades dos países classificados no contexto acima citado.

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Ano VIII Novembro 2014




CONAE 2014

A Composição
Luis Vieira



Em 2010, quando da realização do I CONAE, comentei, em um artigo, a composição dos delegados que decidem como vai ser a educação no Brasil. Naquela ocasião, após exaustiva análise concluí - Mas é evidente que a composição do CONAE reflete a predominância do setor sindical e do setor público. Como o governo atual tem muitos dos seus quadros oriundos do movimento sindical, há de certa maneira uma replicação de perfis que, se por um lado dá mais homogeneidade ao CONAES, por outro, lhe subtrai a diversidade de experiências e também sua representatividade real.

Quatro anos depois o número de delegados passa de 2.884 para 4.500! Dentre os quais novamente predominam largamente os mesmos setores apesar da presença real do setor privado na educação brasileira. Em alguns casos, há até uma dupla representação sindical, por exemplo, no Forum Nacional de Educação, que organiza o CONAE, há um delegado efetivo da Representação dos Movimentos em Defesa do Direito à Educação que é um pool de organizações que inclue o MST e a CNTE - filiada à CUT. No mesmo Forum organizador do CONAE estão presentes delegados das Centrais Sindicais - o efetivo é da CUT, e também da CNTE, da CONFENEM, da CONTEE, da FASUBRA, do PROIFES, da UNE, da UBES, da representação do campo - o delegado efetivo é da CONTAG. Da sociedade civil organizada não sindical há um delegado da CNI e um do sistema S. Do setor privado apenas um representante. Não se vê representantes de categorias profissionais. A comunidade científica tem um solitário representante. As universidades católicas não têm representante.

A consequência se vê na definição dos eixos, na programação, nas resoluções que priorizam uma pauta classista situando a educação como instrumento de “justiça social”, mas o conteúdo da Conferência será objeto de um segundo artigo, da mesma forma como fizemos há quatro anos atrás sobre as recomendações do CONAE 2010 para o ensino superior.


Ano VIII Novembro de 2014



Ciência: Propostas Para o Avanço
Clóvis Pereira – UFPR



O objetivo central deste texto é propor a criação de planos estruturais, ações e metas, à próxima administração do Estado do Paraná a ser iniciada em janeiro de 2015, como soluções estratégicas que respondam a questões relevantes para o avanço da ciência no Paraná. A ciência e seu desenvolvimento devem ser uma preocupação de governo.

Neste texto ao citarmos a palavra ciência, estaremos nos referindo ao seu significado amplo, a exemplo do contido no texto que citamos abaixo.

No documento intitulado Rigor e Integridade na Condução da Pesquisa Científica, Rio de Janeiro: ABC, p. 2, 2013, encontra-se o seguinte sobre a ciência: “A Ciência envolve todo conhecimento sistematizado, obtido por meio de observação, experimentação e raciocínio. Ela busca aumentar a compreensão do mundo natural, físico e social, assim como da mente humana. Nessa dimensão, a Ciência abrange as chamadas Ciências Exatas, Naturais, Sociais e as Humanidades”.

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Ano VIII Outubro de 2014




IBGE, preocupações de uma pesquisadora  
Denise Britz do Nascimento Silva (ENCE-IBGE)



Escrevo para compartilhar com vocês minha enorme preocupação com o que está ocorrendo no momento com o IBGE ... ou melhor... com o que pode vir a ocorrer. Acho que o momento é muito grave e precisamos avaliar o situação com toda a complexidade envolvida. Não acho que podemos ou devemos considerar a comissão de especialistas de forma isolada. Não é este o caso. Foram criadas duas comissões e uma delas é de sindicância.

As 2 comissões foram criadas num movimento único do Governo e eu não consigo acreditar que esta(s) ação(ões) ocorrereu(am) com real e único foco na melhoria dos processos do IBGE e da produção de estatísticas oficiais.. um bem público.

Concordo plenamente que a comissão de especialistas é formada sem dúvida por excelentes pesquisadores e pessoas de alta respeitabilidade mas não podemos esquecer que este governo não está agindo de forma respeitosa com o IBGE no momento de criar duas comissões, uma para analisar a PNAD 2013 e outra que é uma comissão de sindicância.

Não há dúvida que o IBGE cometeu um erro e que uma avaliação independente trará melhorias aos protocolos de trabalho do IBGE e benefício à nação.

Entretanto... a forma que as comissões estão sendo criadas é inadequada para fazer jus à história e ao serviço do IBGE para o País.

Notem que apoio ao IBGE não se traduz em desconsiderar o erro cometido. Erramos... e isto indica a necessidade de uma revisão de protocolos... e uma avaliação externa pode e deve ser um caminho importante neste processo de revisão.

Em 1997, o IBGE solicitou ao Statistics Canada um avaliação dos nosso processos de trabalho. O trabalho de avaliação técnica realizado pelo StatsCan foi detalhado e importantíssimo para o IBGE. Como consequência, o IBGE se modernizou e a avaliação realizada teve efeitos extremamente benéficos para a instituição.

Mas, hoje, desta vez, não foi dada ao IBGE a oportunidade de criar esta ou outra comissão de especialistas (nacionais ou internacionais) ou de informar à socidedade como trataria a avaliação dos processos. Esta opção nos foi negada. Fomos atropelados pela notícias da criação de duas comissões.. sendo uma delas a comissão de sindicância.

Acho muito bom que a comissão de especialistas independentes seja composta pelas pessoas citadas. Tenho certeza que o IBGE receberá bem esta comissão. Alguns dos participantes já são ou foram participantes de comitês técnicos a convite do IBGE. Mas... estamos (pelo menos eu estou) de luto pela criação das comissões da forma que ocorreu.

Participei na semana passada de um workshop sobre qualidade em pesquisas realizado em Washignton (ITSEW2014 - International Total Survey Error Workshop). Neste seminário tive conhecimento sobre um erro cometido pelo Statistics Sweden em 2010*. Devido a isto, o Governo da Suécia definiu que o Statistics Sweden deveria implantar uma revisão de qualidade em suas pesquisas e um relatório deveria ser produzido para ser entregue ao Ministro das Finanças: "The government of Sweden stated in Statistics Sweden’s appropriations directive for 2011 that the agency was required to complete on going work within the area of quality and that significant quality improvements were to be reported to the Ministry of Finance at end of 2011 and every year following. A report was requested in the form of specific indicators that
signify any quality improvements that are occurring in pre-specified, key programs."


Uma comissão mista com membros internos e externos à instituição foi proposta e montada pelo Statistics Sweden. Os dois membros externos são: Paul Biemer , especialista em Survey Methods e Denis Trewin (ex-presidente do Australian Bureau of Statistics ). O trabalho de avaliação ainda está em andamento e sua metodologia e resultados podem ser encontrados em 2 artigos: A System for Managing the Quality of Official Statistics e A Tool for Managing Product Quality.

Relato o caso para colocar os fatos que ocorreram com a ratificação de estimativas produzidas pelo IBGE num contexto comparativo com o dia-a-dia dos vários Institutos Nacionais de Estatística do mundo. O erro aconteceu, na Suécia e no Brasil, os processos de trabalho precisam ser revisados mas a forma de fazê-lo é na busca da qualidade.

No caso do Brasil, não acho corretas as ações que o MPOG está tomando, e da forma que está fazendo, em relação ao IBGE. Entendo que um momento difícil como este sempre alavanca discussões importantes que podem trazer melhorias para a produção das Estatísticas Públicas. Entretanto, muita água ainda vai rolar... as palavras e ações tem peso e, sempre, consequências.

Não escrevo em nome do IBGE mas não há como separar meu julgamento da minha história profissional. Não gostaria que esta mensagem fosse vista como uma fala corporativista, mas entendo que não tenho como evitar isto.

*http://www.scb.se/en_/Finding-statistics/Statistics-by-subject-area/National-Accounts/National-Accounts/National-Accounts-quarterly-and-annual-estimates/Aktuell-Pong/22918/Behallare-for-Press/Correction-Net-lendingborrowing-for-local-government-2009-non-financial-sector-accounts/


Ano VIII Outubro de 2014




Ranking Universitário Folha 2014
Clóvis Pereira – UFPR



Recentemente a Folha de São Paulo divulgou o Ranking Universitário Folha – RUF 2014. Uma listagem das Universidades brasileiras de melhor desempenho, de acordo com os indicadores avaliados que são: Ensino; Pesquisa; Inserção no Mercado de Trabalho; Inovação; Internacionalização.

O RUF 2014 conta com uma listagem de 192 Universidades. Segundo seus responsáveis, o ranking procura medir a qualidade das Universidades brasileiras, em suas diferentes missões (ensino, pesquisa e extensão. Cf. Art. 207 da Constituição Brasileira) a partir de metodologias utilizadas em rankings internacionais, mas com adaptações para o contexto brasileiro.

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Ano VIII  Setembro 2014






Controle Social da Academia
Luis Vieira



Um dos mantras preferidos pela esquerda, o controle social das atividades do Estado, tem sido propagado ad nauseam pelos seus inúmeros partidos na propaganda eleitoral. O decreto presidencial 8.243, Política Nacional de Participação Social, cuja implantação está, por ora, suspensa pela legislação eleitoral, aprofunda a metamorfose do Estado brasileiro em um Estado de sovietes. Desfaçadamente, o governo central gera a própria crise que justifica a mudança, a corrupção e a ineficiência desses últimos 12 anos são debitados ao Estado democrático de direito, constituído a partir da Constituição de 1988 (a qual boa parte da esquerda não subscreveu).

Nas universidades federais, regidas a colegiados, a materialização do propalado controle social é a constituição de sindicatos e associações estudantis classistas (leia-se revolucionárias) cuja atuação ultrapassa o domínio das reivindicações trabalhistas para se instalar no centro das deliberações da instituição universitária. Como se isso fosse pouco, as entidades reivindicam também o direito de indicar os representantes nos colegiados, retirando da administração da instituição de ensino superior, responsável perante a lei e a sociedade, a prerrogativa de organizar o processo de escolha dos representantes. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro a constituição de seu colegiado maior – Conselho Universitário – prevê que a indicação dos representantes discentes é prerrogativa das entidades estudantis mas não havia nada tão explícito quanto às congregações de unidade e foi exatamente numa delas – Escola de Educação Física e Desportos que se instalou uma polêmica sobre quem deveria organizar as eleições – a administração da IES ou o Centro Acadêmico. Por considerar que não feria o Estatuto da Universidade, o diretor da EEFD manteve o procedimento institucional e foi por isso acusado de autoritarismo, para dizer o mínimo. A controvérsia só foi resolvida, no âmbito da UFRJ, em maio de 2014, a favor das classes oprimidas, é claro, através da resolução no 5* (que não contempla colegiados de departamentos), demonstrando, no entanto, que o professor da EEFD não tinha violado nenhuma norma dessa universidade, senão ela não teria se feito necessária.

Dificuldades dessa natureza somadas aos problemas crônicos da administração federal desencorajam vocações para a gestão universitária, a menos que as motivações sejam de natureza política.



*Resolução No 5/2014 do CONSUNI da UFRJ

Art. 1º Reafirmar a prerrogativa das entidades representativas dos estudantes na organização do processo de escolha dos representantes discentes nos colegiados superiores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, bem como nas Congregações das Unidades Acadêmicas e colegiados equivalentes dos Órgãos Suplementares.


Comentários recebidos:


 Indicação de representantes discentes

 Uma coisa é definir quem convoca e comanda as eleições dos representantes no Consuni ou nas Congregações. Outra coisa, muito diferente, é definir quem comanda o processo de indicação. As entidades estudantis não querem comandar esse processo, substituindo a instituição federal. Elas não querem elas mesmas fazerem as eleições. Elas simplesmente não querem essas eleições com voto direto dos discentes elegendo os representantes discentes. Parece parecido. Mas é muito diferente. De um lado, um processo eleitoral. De outro lado, um processo de indicação de representantes sem eleição desses representantes pelos que serão representados. Se a UFRJ quer conceder assentos, em seus Colegiados, para as entidades do movimento estudantil, tudo bem, maravilha. Só não pode é com isso zerar a indicação de representantes discentes com eleições similares às que convoca para os representantes docentes.

L.E.R.Carvalho


Ano VIII  setembro 2014


                           
                                                                                                                                  
O atalho que não leva a lugar algum
Luis Vieira



O contexto que envolve a publicação de periódicos pouco confiáveis reflete a crise mundial da atividade científica em universidades e entidades de pesquisa. Pesquisar é caro e não necessariamente traz retornos imediatos ou mesmo dignos de nota. A crise econômica global provocou graves cortes de verbas em todo o mundo. Em 2013 estive na Espanha e pude verificar a difícil situação dos pesquisadores espanhóis, muitos abandonando o país, ou a profissão. Nesse quadro fica mais difícil manter uma atividade científica de qualidade e divulgá-la nos periódicos consagrados o que equivale a não ter feito nada. A revolta contra o império das publicações, concentrado em poucas editoras internacionais, provocou manifestações individuais (Higgs, Schekman) e coletivas (DORA).

Infelizmente, ao invés de buscar soluções íntegras, maus empreendedores distorceram a iniciativa do periódicos "open access" que visava facilitar o acesso a publicações científicas e a transformaram numa indústria de "papers" de segunda categoria, tipo - pagou, publicou.

O OBSUNI/Prof. Vinicius Arcaro rastrearam no Brasil a amplitude dessa má iniciativa, já denunciada amplamente no exterior, (veja o experimento da revista Science), muitos periódicos pouco confiáveis estão certificados pelo banco Qualis da CAPES e as IES brasileiras estão aceitando essas publicações como evidência de produção científica.

Se a fórmula tem ajudado as carreiras daqueles que praticam esse atalho, certamente não é o caso da posição brasileira no ranking de importância da ciência mundial. Trabalho recente baseado no Web of Science, premiações internacionais e impacto na pesquisa só identificou cinco pesquisadores radicados no Brasil como sendo dignos de nota na ciência mundial. A recente indicação de um brasileiro para a medalha Fields constitui mais uma exceção do que a regra.


Ano VIII Agosto 2014



                                                                                                                                                                                                                
Os Cientistas mais Influentes no Mundo Atual e o Contexto Brasileiro*
Clóvis Pereira – UFPR



O objetivo deste texto é repercutir no contexto acadêmico brasileiro e no âmbito dos governos estaduais e federal o documento elaborado e divulgado recentemente por Thomson Reuters, intitulado World’s Most Influential Scientific Minds 2014.

O documento, com 108 páginas, contém uma análise dos mais importantes e influentes cientistas da Terra que trabalham em diversas áreas do conhecimento. Em busca de resposta para a pergunta:
Who are some of the best and brightest scientific minds of our time?

Os peritos da Thomson Reuters analisaram dados disponíveis existentes na Web Science e em plataformas de incentivo para determinar os pesquisadores que têm produzido trabalhos de relevância em pesquisa científica, em diversas áreas do conhecimento, que são mais frequentemente reconhecidos por seus pares em diferentes países do mundo. Para o trabalho acima citado foram consultados diretórios de pesquisa altamente citados.

Na introdução do documento em pauta encontramos a seguinte afirmação: These researchers are, undoubtedly, among the most influential scientific minds of our time.

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Ano VIII Agosto de 2014




A Era do Conhecimento Globalizado 
Clóvis Pereira – UFPR



O objetivo deste texto é alertar a administração central, a comunidade acadêmica e a sociedade do Estado do Paraná para a necessidade de criar e executar projetos estruturais que visem, em longo prazo, reformular o Sistema Público de Ensino Superior do Estado.

Lembramos que quando há erros na estrutura da educação escolar superior de um Estado ou de um País, os administradores que têm o poder de agir na tomada de decisões também têm a responsabilidade de agir para consertar o que está errado nessa estrutura.

Na era do conhecimento no mundo globalizado atual o bem mais precioso de um Estado, ou de um País, é o seu capital humano detentor de boa educação escolar em níveis fundamental e médio e em nível superior. Sabemos que investimentos em educação escolar de excelente qualidade, em ciência e em tecnologia em harmonia com um bom projeto de desenvolvimento estadual, representam a melhor estratégia para um bom administrador e sua equipe de assessores.

Neste contexto é imprescindível a importância da boa educação escolar superior (graduação e pós-graduação stricto sensu) ofertada por um Estado, ou por um País a seus filhos. O estágio da boa educação escolar superior só poderá ser atingido por intermédio da boa qualidade de suas Universidades. Emerge daí a necessidade de constante vigilância por parte da administração central do Estado sobre o Sistema Público de Ensino Superior do Paraná, que é formado por sete Universidades Estaduais.

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Ano VIII  julho 2014




Submundo acadêmico*
Luis Vieira



Introdução

Em matéria anterior, "Qualis sob suspeita", alertamos sobre a propagação de periódicos questionáveis no sistema acadêmico brasileiro, sob a chancela da CAPES através da inclusão desses periódicos no Qualis. No Brasil, assim como no exterior, a publicação de artigos científicos tornou-se a medida preponderante para o acesso e progressão nas universidades.

Com a imitação do modelo Americano "Publish or Perish", a competição para publicar artigos foi acirrada no mundo todo. Pressionados por suas instituições, alguns pesquisadores escolhem o caminho mais curto e condenável. Esse caminho consiste em escolher periódicos cujo tempo para publicação seja relativamente curto. A maneira que esses periódicos utilizam para oferecer uma redução do tempo para publicação é através da simplificação do processo de revisão pelos pares (peer-review-process). Por esse motivo, utiliza-se o eufemismo questionável para tais periódicos. Em muitos deles, a revisão pelos pares simplesmente não existe, conforme demonstrado em 2013 por John Bohannon.

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Ano VIII, julho 2014



                                                                                 
Qualis sob suspeita*
Luis Vieira
                                                                                                               


Introdução

No final da década de oitenta apareceram os primeiros periódicos on-line no sistema Open Access. Diante do alto custo das assinaturas dos periódicos impressos, a novidade foi muito bem recebida e difundiu-se rapidamente em todo o mundo. No Directory of Open Access Journal (DOAJ) há mais de 9000 periódicos cadastrados. No Brasil a iniciativa conjunta da FAPESP com o CNPq deu origem à Scientific Eletronic Library on Line (SCIELO) que abrange mais de 300 periódicos com acesso livre.

Na maioria das vezes, o sistema Open Access é visto com reserva pela comunidade científica tradicional e pelas grandes editoras. O principal motivo é a cobrança de taxa para publicação, disfarçada em taxa de processamento do manuscrito, em geral variando de $ 200 USD até $ 1000 USD. O conflito de interesses sempre vai suscitar dúvidas quanto à qualidade dos artigos publicados. Fator de contratação de novos professores ou pesquisadores e também promoção na carreira acadêmica, a publicação de artigos passou a ser alvo de práticas questionáveis. Existem muitos periódicos, com credibilidade conquistada durante décadas, que estão disponíveis para publicar e que nunca cobraram taxa do autor.

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Ano VIII  Julho de 2014
                                                                                                           



Desde Leiden
Luis Vieira



O Centro de Estudos de Ciência e Tecnologia (CWTS) da Universidade de Leiden, Holanda, divulgou uma avaliação sobre a pesquisa no Brasil no período 2003-2012. Os dados são baseados no Web of Science produzido pela Thomson Reuters. Como diferencial em relação a outras avaliações, o estudo do CWTS oferece a opção de se considerar indicadores que independam do tamanho da instituição e que contabilizem fracionadamente a participação de cada instituição em trabalhos comuns. Há ainda opções para avaliar cooperação internacional e intranacional, assim como trabalhos desenvolvidos em parceria com empresas. 

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Ano VIII Junho de 2014




O Circo da Copa do Mundo não é lugar para demonstrações médicas
Luis Vieira



A imagem pouco transmitida mais comentada nas redes sociais é a de um experimento há muito anunciado pela equipe de um neurocientista brasileiro – fazer um paraplégico dar o chute inicial da Copa do Mundo usando um exoesqueleto desenvolvido por sua equipe. Simpático ao regime, contou com o apoio do então Ministro da Ciência e Tecnologia para criar um instituto de pesquisas no Rio Grande do Norte. Trouxe da Universidade de Duke, nos EUA, aonde trabalhou, o know-how para a recuperação de deficientes físicos a partir de equipamentos ligados diretamente ao cérebro do paciente. Aqui no Brasil, atritos no interior de sua equipe provocaram a evasão de muitos de seus membros, mas o trabalho continuou assim mesmo e a meta de fazer um show ao vivo na abertura da Copa encantou o governo brasileiro que deu luz verde para o evento.

Sem prejuízo aos benefícios à medicina que seus trabalhos possam trazer, a escolha da abertura da Copa do Mundo, que é puro entretenimento e comércio, para a divulgação de um experimento delicado e dramático para um paciente, não podia ter sido mais infeliz. Um torneio para-olímpico poderia ser uma alternativa mais apropriada. Não sei até que ponto Sociedades Médicas ou Científicas endossaram a iniciativa. Em uma reunião na Academia Brasileira de Ciências, ouvi de um palestrante crítica à natureza dos experimentos que estavam sendo conduzidos pelo pesquisador e sua equipe. Mas, tanto quanto se saiba, não houve nenhuma manifestação pública desaconselhando a prática.

O cuidadoso andamento da cerimônia de abertura que deveria ser descontraído e animado, sem maiores constrangimentos, inibiram destaque à demonstração que transcorreu discretamente num lado do campo, sobre um pequeno tapete. O desmoronamento das instituições e de um norte ético estão criando um ambiente de indiferença e tolerância. Nesse caso, ao menos há supostamente um objetivo nobre, mas a qual preço?


Ano VIII Junho de 2014 


                                                                               


A questão da representação nos colegiados das universidades estatais
O caso da EEFD da UFRJ
Luis Vieira



Democracia é um conceito amplo que toma diferentes formas dependendo de quem o defende. Não se restringe à forma de governo, permeia todas as instâncias da sociedade, sejam elas privadas ou públicas. Um estigma que qualquer dirigente, administrador ou governante evita hoje é ser acusado de não democrático. Não se trata, necessariamente, de justiça ou eficiência, mas de um valor que se tornou inseparável da gestão. Nada mais natural, portanto, que as universidades estatais constituíssem exemplos de gestão colegiada e de campo de ensaio para o exercício da democracia direta, ou seja, um processo deliberativo que passa à margem da estrutura formal da universidade, embora ainda se imbrica a ela no momento de fazer valer as decisões perante seu corpo social e a sociedade.

Tomando como caso a Universidade Federal do Rio de Janeiro, temos o exemplo da escolha do Reitor, feita por voto direto ponderado em um terço para cada categoria (alunos, professores e funcionários), mas formalizada em termos de uma lista tríplice submetida ao Ministro da Educação que supostamente deverá confirmar o primeiro nome indicado. Nos seus numerosos colegiados vem se tornando um hábito a indicação via órgãos de classe – sindicatos, centros acadêmicos, etc., dos respectivos representantes de categorias. Assim o Centro Acadêmico (C.A.) dos alunos de uma determinada unidade, ao invés da sua administração formal, organiza o processo de indicação dos representantes discentes nos colegiados correspondentes. É exatamente esse conflito entre o formal (que em alguma época foi objeto de um consenso) e o casual (que algum dia poderá ser formal) que tomou proporções destacadas no caso da Escola de Educação Física e Desportos (EEFD). O seu diretor pretende seguir a lei vigente – Lei da Representação Estudantil (7.395/85), estatuto e regimento da universidade, que não indicam com clareza (exceto no caso do seu conselho superior - CONSUNI) quais representantes devam ser indicados via organizações estudantis. O C.A. da EEFD pretende o contrário e organiza à sua maneira um desafio à administração da unidade. A questão foi parar no CONSUNI que decidiu em favor dos estudantes, mas o CONSUNI não está acima da lei e há um parecer da Procuradoria com resultado diferente.

A questão central, entretanto, não é essa. O que está em jogo é o controle do estado. O que ocorre na UFRJ, ocorre em outras universidades, autarquias e empresas públicas e é consequência da disputa pela ocupação e controle da máquina pública. Isso é feito via organizações tradicionais como sindicatos, centros acadêmicos, associações profissionais, como também por movimentos com uma causa específica – MST, MTST, entre outros. A burocracia e o edifício jurídico da sociedade brasileira estão sendo desafiados por uma infinidade de grupos, movimentos e ações que foram, em um dado momento, estimulados pelos atuais governantes, mas que eles hoje não conseguem mais controlar. A mesma reitoria que apoia o C.A. da EEFD, ao invés de exercer um papel moderador, foi vencida pelos estudantes no caso da Empresa de Serviços Hospitalares (EBSERH). Gradualmente as instâncias do poder público se tornam erráticas ou paralisadas.

Voltando ao tema da democracia cabe a seguinte questão, são as ditas organizações sociais (tradicionais e novas) democráticas? Atuam de forma independente de partidos? São transparentes? Se há hesitação na resposta, é justo exigir que um professor, aluno ou funcionário deva se dirigir ao seu sindicato para eleger um representante na estrutura da universidade? Projeto do PCdoB na Câmara pretende que sim, mas ainda não foi votado e esse fato soma a favor da interpretação da direção da EEFD e nos alerta para a necessidade de combatê-la também no Congresso Nacional.


Comentários recebidos

Me parece que hoje esta questão é muito importante para a Universidade pois o que está em jogo é o processo democrático. Devemos garantir uma representação legítima de nossas categorias no processo de ocupação de colegiados que são decisórios e vão definir o rumo da Instituição. Hoje vivemos a situação de reitores ¨eleitos¨ e sem o poder de executar seus projetos de campanha, sendo acuados por representantes de minorias que não refletem o desejo de nossas comunidades. Profa Vera Halfoun/Faculdade de Medicina


Ano VIII, Maio de 2014                               

  


                             

As 100 Melhores Universidades Jovens da Terra em 2014 e o Contexto Brasileiro
Clóvis Pereira – UFPR



No dia 30 de abril de 2014 o Times Higher Education - THE, da Thomson Reuters, divulgou a versão anual de seu ranking, um dos mais importantes do mundo, com as 100 melhores Universidades jovens do Planeta Terra. Isto é, instituições de ensino superior com menos de 50 anos de idade.

Este ranking fornece um vislumbre do futuro para as instituições em ascensão, que mostram um grande potencial que lhes permitirá a obtenção da excelência. Daí sua importância para a comunidade acadêmica internacional e para os gestores das instituições listadas.

No ranking são analisadas cinco áreas: inovação, ensino, influência da pesquisa, volume de pesquisas e impressão no meio acadêmico, abrangendo investimento financeiro em pesquisas, total de docentes da instituição, a qualificação dos docentes, total de alunos estrangeiros na instituição, total de publicações em revistas científicas, dentre outros itens. Uma das ferramentas usadas para esta medição é a entrevista com 10.500 pesquisadores do mundo inteiro.

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Ano VIII, Maio de 2014


                                                                 


Carta Aberta aos Pré-Candidatos ao Cargo de Presidente da República
Clóvis Pereira – UFPR; Leandro Filho – UFRJ; Luis Vieira – UFRJ



Senhores Pré-Candidatos:



Os signatários desta carta aberta, membros da comunidade acadêmica brasileira e ativistas no âmbito do Observatório da Universidade – OBSUNI, que comemora seu oitavo ano de existência, no dia 21 de Abril, atentos ao processo de globalização do ensino superior, além de preocupados com a urgente necessidade quanto ao início de um processo de reformas que resgate a excelência da Universidade brasileira, bem como a qualidade de todo o Sistema Brasileira de Ensino (SBE), cada vez mais combalida também no âmbito da educação básica, conforme verificado pelos baixíssimos níveis de desempenho apurados de forma recorrente pelos organismos nacionais e internacionais que medem e avaliam os principais resultados dos processos de educação em nosso país.

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Ano VIIII, Maio de 2014







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